

Espelho dos Ineptos
Ah, a grandeza humana, tão frágil e tão cega,
confunde luz com ofensa, sombra com prova. Escudo de ignorância, lança de inveja, ferem o sol e queimam-se na própria cova. Ridicularizam o brilho que os expõe nus, déspotas de verniz, donos do nada. Seus tronos são pó, seu ouro, ilusão crua, e ainda aplaudem a própria queda. Sobre o ontem, digo apenas sobrevivi à tua noite sem estrelas. Eis-me, fênix de cicatrizes douradas, enquanto tu, carrasco de trapos, te afogas no rio que criaste, de águas imóveis. Nós, que dançamos sob a lua da empatia, sabemos o veneno deles é medida vã. Incomodamos. Que glória seria a nossa se a cegueira alheia não tropeçasse na própria mão? A vida, cirurgiã das quedas, com fios de tempo cose as rasgaduras. Os ferros que ontem sangravam luas são hoje lâmpadas acesas nas alturas. Toda cicatriz é mapa escrito a fogo e prata líquida. O ontem foi o preço do abismo. O hoje, a asa que dele nasceu.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/04/2025
Alterado em 11/03/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |