

Ciclo em Versos
Se os léxicos fossem vazios, sem grafia,
e os fonemas não pulsassem em nossos dentes, que épico escreveríamos a quatro mãos? Se o olfato não umedecesse o paladar, a primavera seria íris sem pigmento e o outono, um suspiro sem presságio. As auroras invernais, déspotas serenas, acariciam a epiderme com brumas lascivas, enquanto Cronos, ourives das idades, forja anéis de eras em ouro e névoa. Somos cálamo e vulva, estrofe e cio, dançando a coreografia dos astros. No devir, seremos regentes absolutos, ditando os compassos do porvir, cada gesto, semínima premeditada na pauta do caminho. Dançaremos sobre os alvores enquanto a rapsódia do existir, tecida de volição e artérias, nos sagra monarcas do infinito. Já somos laureados. Ao romper do dia, herdamos o papiro onde inscrevemos, com sémen e púrpura, o verso que nos pariu. Pois acordar é o primeiro ato do eterno recomeço.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/04/2025
Alterado em 11/03/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |