D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Ciclo em Versos
Se os léxicos fossem vazios, sem grafia,
e os fonemas não pulsassem em nossos dentes,
que épico escreveríamos a quatro mãos?

Se o olfato não umedecesse o paladar,
a primavera seria íris sem pigmento
e o outono, um suspiro sem presságio.

As auroras invernais, déspotas serenas,
acariciam a epiderme com brumas lascivas,
enquanto Cronos, ourives das idades,
forja anéis de eras em ouro e névoa.

Somos cálamo e vulva, estrofe e cio,
dançando a coreografia dos astros.

No devir, seremos regentes absolutos,
ditando os compassos do porvir,
cada gesto, semínima premeditada
na pauta do caminho.

Dançaremos sobre os alvores
enquanto a rapsódia do existir,
tecida de volição e artérias,
nos sagra monarcas do infinito.

Já somos laureados.
Ao romper do dia, herdamos o papiro
onde inscrevemos, com sémen e púrpura,
o verso que nos pariu.

Pois acordar é o primeiro ato
do eterno recomeço.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/04/2025
Alterado em 11/03/2026
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