

O Cordial de Alvorada
Bom dia, sol. Bom dia, vida
que se abre em flor desabalada. Sorrisos livres, sem ferida, amizade como espada desembainhada. Doce é a luz do que é genuíno, o abraço que não calcula nem pesa. Enquanto os tímidos do falso carinho apodrecem à própria mesa, vomitando sorrisos ao semelhante. Triste destino o de quem precisa enfeitar o ego com grilhões dourados, vender afetos a prestação e rir com dentes emperrados. Mas o sol segue. A brisa segue. O pão segue. E quem é livre não para. Enquanto isso, o fraco, na escuridão, conta moedas de alma vazia e sequer percebe que o engano é sal sem gosto no festim. Finge laços, tece dano, e desperta só, no fim. Se toda ação não trouxesse reação, talvez absolvêssemos o vazio e, pouco a pouco, nos tornaríamos corpos flácidos, mórbidos, ocos de sentimento.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/04/2025
Alterado em 11/03/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |