

Primavera dos Ciclos
Ah, a primavera, tão previsível em seu espetáculo de cores,
como se a terra, entediada de ser morta, resolvesse florescer. Os brotos rompem o solo, insolentes, enquanto nós, humanos, insistimos em repetir os mesmos invernos. Que metáfora fácil, a vida que ressurge enquanto ainda digerimos antigas derrotas. As flores não perguntam se merecem desabrochar. Apenas o fazem, alheias à nossa mania de dramaturgia existencial. Aprendamos com a efemeridade das pétalas. Tudo morre, tudo retorna, até o desânimo das segundas-feiras. O ciclo é mestre irônico. Oferece infinitas chances, mas cobra juros de humildade. Renascer é possível. Só não se deve esperar aplausos. Até a mais bela rosa acaba por adubar o chão.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/04/2025
Alterado em 11/03/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |