

A DesistĂȘncia e Eu
Ao acordar, trago na boca
o gosto da noite com ela, aquela amante antiga, a DesistĂȘncia de lençóis frios. Seiscentas e sete luas carrego seu peso na barriga, mas o fruto teima em nĂŁo nascer. Joga a toalha nĂŁo, cabra. AtĂ© parece que nĂŁo conhece minha raça de aço maleĂĄvel. De dia, ela sussurra vem pro meu colo de marĂ© baixa. Mas meu Vigor, filho da Luta, jĂĄ puxa meu braço. Levanta, velho. O sol estĂĄ no ponto para esquentar a enxada. E eu, com meus outros filhos, Foco e ResistĂȘncia, vamos escavando o dia, enquanto a DesistĂȘncia, lĂĄ no fundo, arruma seu leito para a prĂłxima investida.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 03/04/2025
Alterado em 11/03/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |