

Sob as Lágrimas de Caim, o Cântico à Verdade Morta
No Banquete dos Espectros
A verdade jaz sob lápide fria, enquanto a Mentira, dama astuta, verte pranto doce, mel que nutre a plebe de bocas ávidas e cegas. Seu luto é véu. Seu riso, adaga. Olhos embriagados de névoa bebem suas lágrimas como vinho, enquanto a língua afiada esquece o gosto do ferro sob a carne. E o eco do assassinato segreda na praça vazia, onde sinos mudos dobram por ninguém, apenas por si. O réu é o juiz. A sentença, um brinde. À saúde dos que digerem ossos. Ó tu que mastigas suas palavras, saboreias o banquete ou és o prato? O epitáfio também te espera. No silêncio que antecede o verso final, perguntas a ti mesmo quem lavra tua lápide ou se já a escreveste com os próprios dentes.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 03/04/2025
Alterado em 23/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |