

CONTA FINAL DO VIVENTE
Já contei tantos adeus
que a Morte e eu somos quase amigos. Meu medo? Deixar a Vida viúva, os dias órfãos dos meus perigos. Espólio poético Três pirâmides de versos malditos, dois caldeirões de ironia fria e uma certidão de nada escrito para o inventário da hipocrisia. O ontem pesa mais que o amanhã quando o último suspiro escapa. Memento mori. Eis a lição: enquanto uns choram, outros fazem propaganda da desgraça. Ah, Vida, tua conta é cruel. Quem muito fecunda ilusão colhe pó de túmulo no final. E o meu saldo? Versos. Moeda forte para comprar perdão no mercado das eternidades. Assinado, o poeta que, ao morrer, deixou bilhete ao coveiro: Cava fundo, parceiro. Que até na cova vou esconder mais uma estrofe por baixo do pano. Réquiem dos verbos.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/04/2025
Alterado em 11/03/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |