D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

CONTA FINAL DO VIVENTE
Já contei tantos adeus
que a Morte e eu somos quase amigos.

Meu medo?
Deixar a Vida viúva,
os dias órfãos
dos meus perigos.

Espólio poético

Três pirâmides de versos malditos,
dois caldeirões de ironia fria
e uma certidão de nada escrito
para o inventário da hipocrisia.

O ontem pesa mais que o amanhã
quando o último suspiro escapa.

Memento mori.

Eis a lição:
enquanto uns choram,
outros fazem propaganda
da desgraça.

Ah, Vida, tua conta é cruel.

Quem muito fecunda ilusão
colhe pó de túmulo no final.

E o meu saldo?

Versos.
Moeda forte
para comprar perdão
no mercado das eternidades.

Assinado,

o poeta que, ao morrer,
deixou bilhete ao coveiro:

Cava fundo, parceiro.
Que até na cova
vou esconder
mais uma estrofe
por baixo do pano.

Réquiem dos verbos.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/04/2025
Alterado em 11/03/2026
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