D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

A palavra
A palavra que segrega
nasce do afago interesseiro,
do elogio calculado,
do DNA silencioso da hipocrisia.

É sorriso amarelo
que escorre o fel do separatismo,
líquido amargo das castas
que dividem até o rés do chão da alma.

A chamada lei da selva
é apenas farsa cromática.

O forte pisa crânios.
O fraco ergue monumentos
que o esmagam,
acreditando ser a base da pirâmide.

A escuridão,
tinta permanente dessa antievolução,
transforma-se em cenário
do sucesso celebrado.

Ó inocente mastigado,
alimentam-te com bílis dourada,
regam tua humildade vegetal
para que não morras,
apenas sirvas
até definhar.

Palavras que segregam
são facas de ticum.
Cortam devagar,
como lâmina de algodão.

E o sangue que escorre
ninguém chama de sangue.
Chamam de progresso.

Eu chamo de desconstrução
da própria humanidade,
sinfonia surda
de um objetivismo sagrado
que negocia tudo
no eterno toma lá, dá cá.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 18/04/2025
Alterado em 23/09/2026
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