

A palavra
A palavra que segrega
nasce do afago interesseiro, do elogio calculado, do DNA silencioso da hipocrisia. É sorriso amarelo que escorre o fel do separatismo, líquido amargo das castas que dividem até o rés do chão da alma. A chamada lei da selva é apenas farsa cromática. O forte pisa crânios. O fraco ergue monumentos que o esmagam, acreditando ser a base da pirâmide. A escuridão, tinta permanente dessa antievolução, transforma-se em cenário do sucesso celebrado. Ó inocente mastigado, alimentam-te com bílis dourada, regam tua humildade vegetal para que não morras, apenas sirvas até definhar. Palavras que segregam são facas de ticum. Cortam devagar, como lâmina de algodão. E o sangue que escorre ninguém chama de sangue. Chamam de progresso. Eu chamo de desconstrução da própria humanidade, sinfonia surda de um objetivismo sagrado que negocia tudo no eterno toma lá, dá cá.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 18/04/2025
Alterado em 23/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |