

Hoje a poesia esta de luto, no Baile das aspas
a censura que cala
como mĂĄquinas de coser mentiras com agulhas de prontuĂĄrio hipĂłcrita Papo reto. Desviaram a palavra. Palavra nĂŁo faz curva. Nas voltas dos argumentos censuraram o poeta e esquartejaram a voz do povo. ViolĂȘncia brutal quando a histĂłria narrada por lĂĄbios de pele alva remonta os fatos apenas para conservar o poder. Hoje a poesia estĂĄ presa. Assaltaram o imortal. Roubaram-lhe o assento na academia. Atiraram as letras eruditas ao lixo para esconder o flagrante. Palavras nunca voltam vazias. Esta voltou com gosto de sofrĂȘncia e pitadas de funk erotizado. Hoje a poesia tem medo. Eu tambĂ©m teria. Entre quatro paredes lavagem cerebral em horĂĄrio nobre, sentimentos lobotomizados por novelas brilhantes. Por onde anda o ZĂ© do Caroço? No baile das aspas jĂĄ nĂŁo se trata de embranquecimento. Trata-se de transformar gente em massa de manobra. Funcionou. Olha a poesia acuada no canto, chorando sobre o cadĂĄver putrefato da palavra. O chamado continua piscando. A distração tambĂ©m. Fecham-se as aspas. Mas a bala jĂĄ atravessou a pĂĄgina.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/04/2025
Alterado em 22/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |