

Antes do Princípio, na dança do vácuo: Ciclo da Criação
Vácuo: o silêncio que engoliu
o primeiro nome de Deus… as verdades da inverdade. Eu já te amava antes do boom do Big Bang, quando o fogo era só um gemido na garganta do nada, e o tempo, um útero escuro esperando seu primeiro tremor. Teu perfume existia antes que o ar aprendesse a circular. Eu o cheirava, névoa primordial, entre átomos que ainda não sabiam ser estrelas. Minhas veias são mapas tardios de um rio que já corria em mim antes de ter leito. Sangrava sem ferida, fervor sem forma, enquanto o cosmos girava seu moinho de silêncio. Agora te enxergo: não pelos olhos, mas pelo sulco que deixas no peito do universo, onde a luz hesita… …a luz hesita. E então, ah, cosmos! Crepúsculo precoce cavalgando um cometa, por que não quis esperar pelo fim dos dias? E agora estamos aqui, sob o declínio da luz, enquanto a escuridão alimenta a máquina de moer existências. Amiga Morte, senta-te: trouxe pão do trigo dos cometas e vinho do suor das estrelas que buracos negros cuspiram no colapso final, último gole antes do nada. Falamos da primeira estrela que morreu e do último grão de poeira que restará. Deixo nas entrelinhas o tom menor do meu relógio desmontado sobre a mesa do fim das minhas horas como perdão, o sarcasmo do tic-tac atemporal do subconsciente. Enquanto lá fora, o vácuo dança seu balé infinito com os restos da criação. Aqui explode meu eu poético, que forçou o Universo a se rasgar para cabê-lo, sonhos como água que sai da nascente e inunda os mapas que os astrólogos desenharam em peles de anjos. Epílogo que transborda conhecimento no leito do inexplicável. E por amor, eloquentemente, você gerou aquilo que os cegos …chamam de erro na matemática que Deus riscou e o vácuo engoliu.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/05/2025
Alterado em 04/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |