D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Manual de Autoflagelação para Santos e Capitalistas (Vosso reino no Baile das Aspas)
E agora?

Quando o pensamento tem sonoridade,
a palavra fere.

Quando as palavras são silenciadas,
o pensamento maquina impropérios
no ranger dos dentes amarelos,
sorriso do glutão.

Quando os olhos falam,
a retina cospe cobiça
sobre o que nunca lhe pertenceu…
Talvez no tempo em que os olhos
ainda não sabiam fingir.

As lágrimas falam mais sobre o estado das almas
do que sobre o pranto em si,
vê aquelas que choram lágrimas de crocodilo,
ácidas como a bílis dos santos.

Ontem, embriagavam-se com o néctar
da desgraça alheia.
Hoje, vomitam na ressaca
a parcela santa da intriga
e o esperma sagrado dos hipócritas.

Depois?
Glória ao Pai, ao Filho…
e ao Espírito da Podridão
(É tudo macho!)
Como se do vosso maldito fosse o fruto,
e não sobrassem nem os ossos
do cordeiro parido pela “virgem”.

Fúteis filhos tolos de Baco,
em orgia constante com o capital,
bêbados de hóstia e vinho barato,
editam bíblias como margem de lucro.

No ápice do gozo, cospem profecias
para me crucificar em seus dogmas,
ontem, hoje, amanhã e para todo o sempre.

Quando os dedos jejuam de fome,
os pés caminham sobre pedras pontiagudas
de sinceridade.

A mente esvazia-se de inverdades.
Afinal, quantos pés sangram
antes de aprenderem a mentir?

Afinal, quem nunca se banqueteou
no bordel:

“Beba do meu sangue, coma do meu corpo.”

O cérebro está vazio,
e seu novo inquilino pode ser o Sol da manhã:
o caído, que ao nascer foi banhado em absinto
e encharcado de enxofre.

É preciso!
Arranquem das minhas fossas nasais
os pregos da crucificação,
só me tornei pecador
depois que alguém escreveu
a palavra pecado na minha costela.

É fácil apontar Caim e Abel.
Mas quem foi a testemunha desse fratricídio?
A história?
Abel, o filho forte,
esmagou os dedos de Caim
na porta do celeiro…

Mas o pai chorou só por quem lavrava o campo?

E a mãe?

Enforcada no silêncio da obediência,
enquanto lava seu santo ventre ainda de luto.
Mas não para o alfa,
não para deitar-se embaixo de Adão.

Assim nasceu o primeiro pecado:
talvez de um inválido
que ousou sobreviver
sem o cinto de castidade
que o patriarcado pregou na carne
e no conhecimento.

Monólogo que oprime até o gemido
e estampa medo em vossas pálpebras.
“Eminência”…
(Parda de quê?
De sangue ou de silêncio?)

Para inspirar a razão
antes que as palavras me sufoquem:
Toda história é um cadáver
que os vencedores enfaixaram em púrpura.

Arranquem os panos!
O morto cheira a vinho adulterado
e versículos podres.

“Amem”
(com bafo de abuso infantil,
emparedamento de escravos negros em igrejas
e batismo genocida dos povos indígenas).

O último a sair queime as aspas
e cuspa nos ossos do cordeiro.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 08/05/2025
Alterado em 23/09/2026
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