

Manual de Autoflagelação para Santos e Capitalistas (Vosso reino no Baile das Aspas)
E agora?
Quando o pensamento tem sonoridade, a palavra fere. Quando as palavras são silenciadas, o pensamento maquina impropérios no ranger dos dentes amarelos, sorriso do glutão. Quando os olhos falam, a retina cospe cobiça sobre o que nunca lhe pertenceu… Talvez no tempo em que os olhos ainda não sabiam fingir. As lágrimas falam mais sobre o estado das almas do que sobre o pranto em si, vê aquelas que choram lágrimas de crocodilo, ácidas como a bílis dos santos. Ontem, embriagavam-se com o néctar da desgraça alheia. Hoje, vomitam na ressaca a parcela santa da intriga e o esperma sagrado dos hipócritas. Depois? Glória ao Pai, ao Filho… e ao Espírito da Podridão (É tudo macho!) Como se do vosso maldito fosse o fruto, e não sobrassem nem os ossos do cordeiro parido pela “virgem”. Fúteis filhos tolos de Baco, em orgia constante com o capital, bêbados de hóstia e vinho barato, editam bíblias como margem de lucro. No ápice do gozo, cospem profecias para me crucificar em seus dogmas, ontem, hoje, amanhã e para todo o sempre. Quando os dedos jejuam de fome, os pés caminham sobre pedras pontiagudas de sinceridade. A mente esvazia-se de inverdades. Afinal, quantos pés sangram antes de aprenderem a mentir? Afinal, quem nunca se banqueteou no bordel: “Beba do meu sangue, coma do meu corpo.” O cérebro está vazio, e seu novo inquilino pode ser o Sol da manhã: o caído, que ao nascer foi banhado em absinto e encharcado de enxofre. É preciso! Arranquem das minhas fossas nasais os pregos da crucificação, só me tornei pecador depois que alguém escreveu a palavra pecado na minha costela. É fácil apontar Caim e Abel. Mas quem foi a testemunha desse fratricídio? A história? Abel, o filho forte, esmagou os dedos de Caim na porta do celeiro… Mas o pai chorou só por quem lavrava o campo? E a mãe? Enforcada no silêncio da obediência, enquanto lava seu santo ventre ainda de luto. Mas não para o alfa, não para deitar-se embaixo de Adão. Assim nasceu o primeiro pecado: talvez de um inválido que ousou sobreviver sem o cinto de castidade que o patriarcado pregou na carne e no conhecimento. Monólogo que oprime até o gemido e estampa medo em vossas pálpebras. “Eminência”… (Parda de quê? De sangue ou de silêncio?) Para inspirar a razão antes que as palavras me sufoquem: Toda história é um cadáver que os vencedores enfaixaram em púrpura. Arranquem os panos! O morto cheira a vinho adulterado e versículos podres. “Amem” (com bafo de abuso infantil, emparedamento de escravos negros em igrejas e batismo genocida dos povos indígenas). O último a sair queime as aspas e cuspa nos ossos do cordeiro.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 08/05/2025
Alterado em 23/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |