

Poema para arejar a consciência com o antimofo da razão
A saga egocêntrica do tempero inumano na alquimia universal…
Caríssimo eu… Pegue seu saquinho de arrependimento pra vomitar sobre ele, seu ego, e tente não rasgar suas vestes quando contar ao brilho das estrelas inexistentes. Elas já não existem mais… Agora enterre a face enquanto a verdade dança numa coreografia arrogante na sinfônica da inverdade ignóbil. Sob a luz do sol eu me sento, e debaixo da sombra do meu pensamento repousa o chão. Quantos pés pisarão firme nele? E quantos pisarão no futuro dos dias? Um instante… Segue o silêncio até ser quebrado por cânticos de pássaros famintos, em ninhos de medo, em copas de árvores mudas. Mas, no subsolo, banqueteiam-se restos decompostos do que já foi vida. Talvez… O ar me pergunta: “Estou puro?” Quando ele sabe que está poluído de gritos, dos homens que se alimentam de outros e se martirizam pelos bafos quentes na nuca que aguçam a libido no estalar do cilício. Santa penitência… Não, amigo, sinto o odor do sofrimento, da pólvora, da dor, da violência tirânica que o alvorecer da manhã testemunhou e que o escuro da madrugada foi cúmplice, enquanto a lua, sem nada fazer, chorava lágrimas de omissão. Ali jaz um sonho… E as asas do anjo fazem sombra sobre a realidade, alimentam a fé cega de que ele um dia voltará. E se não voltar? E se ele não se importa mais? Quem sabe se esse muro feito de hipocrisia perversa é grande demais para ele passar? Já não há empatia, nem o estender da mão ao que necessita. Os dedos ocupam-se em apontar o imperfeito em nome dele… Agora o sol se esconde de mim quando o calor dos meus pensamentos ultrapassa as nuvens. São muitas perguntas que acusam a existência, e as nuvens derramam-se ácidas sobre meus ouvidos… Zuuummm… Me interrompe a operária que polariza as horas em favor da rainha. Mel, não. O que tem, para hoje, é fel e beijo sedativo do néctar das varejeiras, fluido de notícias pseudoagradáveis que implantam larvas de berne no seu cérebro. Agora abra os olhos… e enxergue o reflexo do seu interior. Deixe a vergonha escorrer como hemorragia terminal do âmago de sua retina… E apague a luz. A conta está cara.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/05/2025
Alterado em 24/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |