D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Poema para arejar a consciência com o antimofo da razão
A saga egocêntrica do tempero inumano na alquimia universal…

Caríssimo eu…

Pegue seu saquinho de arrependimento pra vomitar sobre ele, seu ego,
e tente não rasgar suas vestes quando contar ao brilho das estrelas inexistentes.

Elas já não existem mais…

Agora enterre a face enquanto a verdade dança numa coreografia arrogante
na sinfônica da inverdade ignóbil.

Sob a luz do sol eu me sento,
e debaixo da sombra do meu pensamento
repousa o chão.

Quantos pés pisarão firme nele?
E quantos pisarão no futuro dos dias?

Um instante…

Segue o silêncio até ser quebrado
por cânticos de pássaros famintos,
em ninhos de medo,
em copas de árvores mudas.

Mas, no subsolo, banqueteiam-se
restos decompostos do que já foi vida.

Talvez…

O ar me pergunta:

“Estou puro?”

Quando ele sabe que está poluído de gritos,
dos homens que se alimentam de outros
e se martirizam pelos bafos quentes na nuca
que aguçam a libido no estalar do cilício.

Santa penitência…

Não, amigo, sinto o odor do sofrimento,
da pólvora, da dor, da violência tirânica
que o alvorecer da manhã testemunhou
e que o escuro da madrugada foi cúmplice,
enquanto a lua, sem nada fazer,
chorava lágrimas de omissão.

Ali jaz um sonho…

E as asas do anjo fazem sombra sobre a realidade,
alimentam a fé cega de que ele um dia voltará.

E se não voltar?
E se ele não se importa mais?

Quem sabe se esse muro feito de hipocrisia perversa
é grande demais para ele passar?

Já não há empatia,
nem o estender da mão ao que necessita.

Os dedos ocupam-se em apontar o imperfeito
em nome dele…

Agora o sol se esconde de mim
quando o calor dos meus pensamentos
ultrapassa as nuvens.

São muitas perguntas que acusam a existência,
e as nuvens derramam-se ácidas sobre meus ouvidos…

Zuuummm…

Me interrompe a operária
que polariza as horas em favor da rainha.

Mel, não.

O que tem, para hoje, é fel
e beijo sedativo do néctar das varejeiras,
fluido de notícias pseudoagradáveis
que implantam larvas de berne
no seu cérebro.

Agora abra os olhos…
e enxergue o reflexo do seu interior.

Deixe a vergonha escorrer como hemorragia terminal
do âmago de sua retina…

E apague a luz.

A conta está cara.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/05/2025
Alterado em 24/09/2026
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