

Banheiro das castas
Preto no trono.
Não do Altíssimo. Pensando. Fazendo o que é direito de todos e coragem de poucos. Reflexões de privada de um retinto com perguntas laxativas para cérebros obstruídos. Perfeito para quem sofre de prisão de bom senso… É aqui, nesse momento singular, que eu, nobre. Nobre sim. Até que alguém me prove o contrário. Toda realeza caga… E pasmem: não cheira agradável como perfume francês. O pensamento perverso deles cheira a açoite, queima de mendigo e propina do desvio da saúde e da merenda escolar. O meu? Hoje tem o odor da indignação de séculos. É diarreia da revolta e da intolerância à lactose do leite da vaca profana (Habemus Sanct). Existencial, não. É pura desidratação da minha humanidade e das minhas raízes… Se liga. Árvore genealógica de preto cresce para baixo da terra e vira adubo para florir diamantes. Boletim que a polícia escreve e os políticos usam pra limpar a bunda dos oligarcas. Apartheid aqui? Imagina… Aqui nós temos favela. Opa. Favela não, comunidade… Como vomita o Mackenzie, catedral de raças puras: essa negra, bolsista, lésbica, “cigarro queimado” na boca obscura dos meninos de brasão e pedigree a feder? Merece, no máximo, um saco plástico mudo… Mas, ah, se enriquece, o crime vira glamour e a plebe aplaude o upgrade do seu pudor. Enquanto a escola sela o caso com verniz, a imprensa mastiga o escândalo em happy end, e mais uma Cláudia arrastada, não no asfalto, não pelo camburão da guarda pretoriana da elite brasileira, mas arrastada no banheiro da hipocrisia que difere as castas, onde um quilo de merda dessa “gente” equivale ao suspiro da bolsista negra. O único orgasmo que a elite aceita dela é o último. Enquanto isso, a TV edita o luto em close perfeito. Corta para o comercial da cerveja… Qual deles? Esse mesmo que desce redondo e que patrocina o pastor e o caveirão. Sem redenção. Domingo tem show na praia, nos calçadões onde se vendem prazeres e horrores. Xiii… Segue o baile que a mídia está constipada… O ontem e o hoje. Mas o amanhã? Espelho estilhaçado do mesmo ódio distinto. E o que não sai de dentro desse alvo de bala perdida, onde, além de cabelo crespo, também carrego massa cefálica, prato corriqueiro no self-service da barbárie, essa delicatesse finesse na gastronomia da ronda dos famintos capatazes de farda. Mira na cabeça! Já dizia Vossa Eminência ex-governador. Canibalismo social. O Estado puxa o gatilho, a elite assina a ata, mas o sangue é igual. Só muda a etiqueta, que seca e decompõe igual à tinta de jornal ou ao sangue no laudo do legista. Uggghhh (fraaapp, vrrrp, toot) Enquanto o caderno de ocorrências vira papel higiênico do Estado, o apartamento com grade elétrica e entrada exclusiva para empregados aplaude o último censo do IBGE enquanto destila essas palavras: “Um preto a menos… Ufa!”
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 15/05/2025
Alterado em 27/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |