D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

O paradoxo de ser vulnerável e inatingível, luz e lâmina, abraço e víbora
Caríssimo eu, é uma escolha, “o não ver”
(Monólogo do “meu” e não da “minha”)

Se minhas palavras não ferirem o ego da iniquidade,
preferia nascer eunuco para não proliferar a terra de covardes.

Se meu pensamento não produzir sonoridade
e ter o poder de uma peçonha mortal
para paralisar as bocas de sorrisos de impropérios,
prefiro ser decapitado
para não comer os restos que se prendem entre os dentes dessas bocas.

Então que eu castre meus dedos,
para não ser eu o que aponta os defeitos alheios.
Nem tampouco quero me vestir de perfeição.
Afinal, eu sou esse caos que flutua entre o caos da existência.

O que eu quero ser?

Pulsar como algo livre.
Ser consciente e vivo.
O amigo melhor do meu inimigo.
Quero ser o livro aberto dos que fazem intrigas,
e o que se dá aos gananciosos de reciprocidade nula.
Não quero sempre ser o deleite da razão.

Mas também quero ser o fim que abriga a luz no túnel,
ou quiçá o túnel inteiro, com vidros cortantes ao invés de asfalto de afagos.

Já não me importa o que pensas de mim.
Não quero ser seu espelho, Narciso. “Basta!”

O oleiro da minha vida sou eu.
E, se for para me moldar por conveniência,
então me quebro antes de ir à prateleira
do julgamento do seu ego inflado.

Não quero ser a pedra, nem o limo.
Sou isso aí:
água cristalina e pura.

Porém, não me bebas com ânsia de consumo,
porque, além de se engasgar com minha densidade,
você pode experimentar algo mais amargo que o absinto
e mais viscoso que o piche in natura.

Estou aí.
E talvez seja o que temos para hoje:
aconchegante como abraço de víbora.

Talvez atemporal.
Talvez abstrato.

“Minha análise” é perfeita como os passos de uma tartaruga,
devagar para você, né?
“Pretérito do inesquecível puro”
Precaução para mim…

O que é ser inteiro num mundo de fragmentos?
Quanto custa ser inteiro?
“Como se manter puro sem ser consumido?”
E quem sobrevive a isso?

Olha para mim sem essa catarata hipócrita
e não me perdoe se você ainda não entendeu.
Mentiu para você quem disse
que a simplicidade mora nos mínimos detalhes,
pois dentro da molécula existe…

…vida
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 18/05/2025
Alterado em 23/04/2026
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Site do Escritor criado por Recanto das Letras