

Se é para cair, que seja gargalhando (diário de um diplomado em queda, não live)
Caríssimo eu:
Guarde este poema sob a língua. Quando o mundo te derrubar, ele será seu segredo de ressurreição. Para aquele que me guarda e não dorme, e habita as entrelinhas dos odus… Vamos lá recolher os cacos do que ainda restou. De você? Imagina, sou inquebrável. Os cacos dos que se chocaram contra minha luz pensando em abalar minha confiança. Ah, entendi. Tudo bem, mas deixa eu te contar uma história. Era uma vez… para, para tudo. Era “vez” vez não, porque ainda estou aqui, entende? Então. Um preto retinto, no popular cria, e ele tinha… não. Ele ainda tem um sonho, desses que já foi pisado, triturado e enterrado tantas vezes que nasceu a imunidade de Orfeu… Carai. Vários já tentaram, já o derrubaram e lhe saquearam. Pois é… Vaso ruim não quebra quando toca o nada. O segredo é levantar e não sacudir a poeira, nem lamber as feridas. É seguir em frente e deixar que poeira e sangue se misturem como um concreto e criem uma casca de sagacidade, imagem de tantos tombos que, depois de tantos tombos, já posso dizer que sou o sobrenatural. Isso eu já sou: herança de ancestralidade. Na verdade, eu até tenho muito que agradecer a você que me empurrou, porque ficar parado me sufoca. Eu não gosto de calmaria. Exu trabalha no caos. Um segundo… Pronto. Já joguei na lata do esquecimento o último pedacinho seu. Eu só deveria sentir pena, deveria, mas não sinto, dos que seguem sua lábia achando que estão no caminho certo. E até estão. É errando que se aprende a se reconstruir na vida. Se é por falta de adeus, boa sorte. Só um adendo: Cuidado. O ser sem escrúpulo não tem amigos, só marionetes que ele manipula. E eu corto os fios. E aquele que me guarda me diz, através de um fio cósmico, cordão umbilical de matriz, vindo direto do Orun conectado ao meu Ori: Continue sendo luz que não se quebra. Vista-se da escuridão do misterioso infindo. É dela que sai o anjo guardião, o que derrete a falsidade com o breu da verdade. E, um dia, ela toma coragem e sai de debaixo do tapete. Lembre-se: Até Exu faz pausa para confundir os que carecem de gratidão humana. E, sobre eles, ele se deleita no riso, enquanto batem com o ego de um no outro. Agora, aprenda a rir como Exu, até da própria dor.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 21/05/2025
Alterado em 22/04/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |