

Espelho-terapia e chá de simancol
Uma consulta psiquiátrica com o próprio espelho.
É direto, mas profundamente simbólico. Caríssimo ego, sugere-se que, às vezes, o maior ato de cura é o autoesquecimento, o exílio do próprio ego para que surja o ser em essência. Patologia do ego. Resolvi cair no esquecimento para ver se desinflama meu ego. E será que tem cura? Placebo. Peguei uma virose de elogios contagiantes e agora estou com minhas vias intelectuais congestionadas. Tenho febre de grandeza, tipo mil graus. Meu orgulho está constipado. Não está ferido? Nada. Já tentei bom senso como laxante, mas a febre não me ajuda. Agora tenho dor de consciência, e cada pensamento lateja como uma sinfônica de amoralidade. Me deram o remédio errado, um tal de complexo de sei-lá-o-quê. Contra a vaidade, não valeu de nada. “Sou o melhor em tudo.” Seu caso é sério, viu… Diagnóstico: humano demais para ser um deus e orgulhoso demais para ser só humano. É preciso desinflar para expandir. Não é o ego que respira, é a alma. E ela só aprende quando o silêncio afoga o grito do espelho. Recomendo um chá de simancol três vezes por milésimo e uma autorreflexão diária em uma banheira de gelo racional. Cada cubo, um dogma resolvido. Se o sintoma não passar em uma hora, recomendo isolamento total e distância de bajuladores. E, se mesmo assim o sintoma persistir, jogue-se no abismo do silêncio, onde o ego não sabe nadar e a alma aprende, enfim, a respirar. O Ministério da Ridicularização Humana adverte: obliterar o ego pode causar transtornos no brilho natural e altas de baixa estima, causando depressão existencial. Ego, use com moderação. Sem ego, você some. Com ego demais, você é só um eco.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/05/2025
Alterado em 22/04/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |