

Um amor para os dias dos desnamorados (edição limitada)
Querido amor que ainda não veio,
que ainda não senti e que ainda não escureceu o brilho do querer. Quero mais que um beijo ácido e carinhos de mãos ásperas. Talvez algo que combine com minhas imperfeições. E agora, amor? E se o amor bater à sua porta? E se ele estiver quebrado, com os pés feridos e, nas costas, o peso do tempo, com marcas intensas de cada encruzilhada, seria amor? E se o amor já te chegar pedindo ajuda? Se trouxesse na bagagem traumas assombrados por desamores, se seu riso escondesse lamentos e, mais além, fosse temperado de desconfiança, seria amor? E se o amor viesse sem máscara? Se ele chegasse despido da mortalha da censura, sem a pele da hipocrisia, e de seus lábios não recitassem inverdades, mas sim o puro odor da fraqueza humana, seria amor? E se o amor entrasse na sua vida sisudo? Se ele despertasse já mal-humorado, com um bafo desconfortante e uma cegueira que não enxerga a luz do alvorecer dos dias, e fosse surdo ao ponto de não escutar a esperança no cantar matinal da passarada que desperta celebrando a vida, seria amor? E se o amor deitasse com você sem orgasmo? Se encenasse gemidos, transpirasse gelo e, anestesiado, não sentisse seu tato, e bailasse a sinfonia do pudor que aprisiona o tesão, seria isso amor? E se ele não decifrasse seu olhar de esfinge, não te devorasse, e vomitasse, vegetativo, sem desejo, enquanto a libido ainda exala do seu sexo, seria amor? Toc, toc, toc. Quem bate? O amor que grita socorro. O que você quer? Aceitação para aprender a amar. De mãos vazias? Cadê o chocolate e as flores? Custa tempo ensinar o amar, seu pequeno amor tolo. Desculpa-me se não sigo o figurino contemporâneo desta sociedade apática e comercial. Epílogo: Se esse amor bater à sua porta, você teria coragem de deixá-lo entrar? Pare. Melhor enfiar a cabeça em uma guilhotina antes de queimar o cérebro tentando pensar na resposta. Aviso aos consumidores: Estamos diante de um amor raro, humano, com defeito de fábrica e alma artesanal. No caso de não haver evolução, devolva ao fabricante. Mas, se ele não aceitar a devolução, é tóxico.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 09/06/2025
Alterado em 22/04/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |