D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

O que sentir ao devorar palavras?

A Esfinge no divã e a nudez do poeta.

O dilema.

 

Querida amante, prefiro imaginar-te assim,

você é algo que desejo, mas respeito: não me pertences.

Porque sou poema e mar,

profundo, movediço, salgado de lágrimas

e doce como espuma.

 

O intenso sorri apenas dois caracteres:

Você, inspiração.

Eu, o inspirado.

Esse símbolo carrega fluxo,

vida e eterno.

 

Movimento assim as palavras,

como se manipulasse a atmosfera suada da nudez do seu corpo

no instante em que jorro estrofes

e te fecundo a terra molhada.

 

Sangro,

não choro.

 

O abismo do poeta é tão profundo

que o universo se excita em pensar no medo da queda,

pois ele literalmente expande sentimentos em palavras,

faz nascer a luz na sombra

da escuridão das mentes enclausuradas

e fogo nos olhos dos amantes.

 

É mater.

 

O pranto do poeta é tão denso

que a mais pesada dor se afoga ao mergulhar

no mar de fantasias do seu subconsciente.

É de uma umidade pura

que, ao banhar-se,

os mais profanos raios de sol se transmutam em cores de íris.

 

É rio sedentário,

é a folha que despenca dos galhos do cérebro

e cai na correnteza do existencialismo

que deságua afeto no mar de deleites da boca molhada.

 

É gasoso.

 

O amor do poeta é o útero que gerou deuses,

a placenta que alimentou a história

depois que ela pariu o tempo sobre a estrada.

 

É o pilar da criação,

onde erupções motivacionais derrubam temporais de perseverança

nos dias de fraqueza da carne.

 

É bruto.

 

A inspiração me faz pensar:

Será que todo poeta carrega um abismo?

E será que a arte é a corda que nos segura

ou o empurrão?

 

Erotismo sublimado, mas não explícito,

é desejo transformado em verbo.

 

É natural que o corpo ainda pulsa

pontos e vírgulas.

 

Eu?

Um poema que sangra e incendeia.

Que fala da dor como matéria-prima

e do amor como força geológica.

 

Se eu pudesse resumir em uma palavra,

na verdade, não posso.

 

Contraditório eu querer,

quando não posso ser juiz, réu e vítima.

 

Só me resta ser poeta.

 

Arte alfa,

mente coletiva,

omega e

resiliência.

 

Nota:

 

Querida amante, inspiração e devoradora,

o querer é o abismo que excita o universo,

mas também a corda que empurra

e que define a minha queda,

pois o ato de escrever é um ato sexual,

a mão que manipula palavras

como quem toca seu corpo.

 

Você acha que me devora,

quando eu sou algo que você bebe:

a chama do poema.

 

Sou seu vício.

DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 17/06/2025
Alterado em 22/04/2026

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