D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Eu não sou Cristo, mas sei que o preço da entrega causa vômito.

 

Caríssimo leitor de sensibilidade egoística:
Aqui vai um poema visceral, cuja escrita é um
grito abafado,
não de revolta vazia, mas de lucidez cansada.
E, se ao final da leitura você imaginar pedras
jogadas em sua direção,
então que seja você o primeiro a refletir:
talvez sua alma esteja doente.

 

Hoje estou sem inspiração,
e a razão me embrulha o estômago.
Já não tenho peneira para tapar o sol
com meu olhar desnutrido
por observar demais as pessoas e suas verdades.
Não posso fazer vista grossa.
Cada um, conformista, boceja seus lamentos
e clama unilateralmente por direitos que são universais.

 

O tempo já me faz falta
nos meus dias em que preciso levar aos tímpanos
o estampido do fardo alheio.
Ensurdecedor, o peso de cada alma
consumida pelo coitadismo de conveniência.
Todos querem,
mas dar dói no íntimo da parcela que lhes é pedida.
Minha benevolência é presa fácil
no mar de “ais” que circunda minha face.

 

Caro Cristo,
é verdade que te pagaram a fornada divina
com a cruz que a ingratidão pregou?
Nem levaram em consideração que,
na falta de vinho na festa,
tu transformaste a água?

 

É… as pessoas dobram os joelhos
e, amoralmente, mentem em suas pífias orações.
O mau-caratismo exacerba a fé.
Imagina, amigo:
se não foram recíprocos contigo,
ingenuidade minha achar que o seriam comigo.

 

As amizades distorcidas, a exigência de direitos
sem disposição para deveres
e o individualismo travestido de carência
já sufocam minha respiração.
Apesar disso, incomoda-me ser duro,
ao mesmo tempo que, para mim,
o sentimento mais desprezível que se pode nutrir por alguém
é pena.

 

Cansaço do justo. Dor sem autopiedade. Reflexão sem pregação.
Amor ferido, mas não vencido.
Sim, eu continuo amando,
mas não posso mais carregar sozinho o mundo de ninguém.

 

A diferença entre compaixão e servidão emocional:
amar não significa ser tapete.
A coragem de dizer não.
O justo não nega seu amor,
mas recusa-se a ser consumido por ele.

 

Eu não escrevo poemas;
só transmuto a hipocrisia dos dias que me circundam.
Neste mundo constipado de mentiras,
cuspir verdades entre dentes cerrados é meu labor.

 

Não quero ser amado; odeie-me, se puder e quiser.
Eu até entendo que talvez minhas palavras
sejam o espinho na sua garganta,
cujo botão carmim aveludado salta à sua boca
como palavras gentis.

DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 18/06/2025
Alterado em 22/04/2026
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