

Ternura Selvagem
Este poema faz parte da letra da música
“Cordel Sonhado para a Musa Cabocla de um Ícaro Negro” e é recitado como parte integrante da obra musical. Ternura selvagem. Um desejo sincero de amor que seja abrigo do fogo que liberta os instintos. O tipo de paixão que cuida e devora ao mesmo tempo. Uma fêmea potente, mas não perigosa, com cheiro de terra molhada, terreno fértil onde eu quero plantar meus versos mais carnais. Eu sei: ela não me pertence. Mas, no mundo dos sonhos, eu sou dela, que me devora toda noite bela e aprisiona meus desejos. Sua gruta, minha cela. Um luar sábio me disse, antes de eu cair no sono dos amantes: Não voe tão perto. Mas eu já nasci pra desobedecer. Deito a cabeça nesse tom de destino inevitável. E por que me castiga, ó sol, ao me despertar todas as manhãs? Meu desejo é asa de cera que derrete no seu calor. Mas que loucura, eu sonharia infindamente de novo, mesmo sabendo do fim.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 23/06/2025
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