D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos Ă© minha histĂłria em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Assediando sua sutileza
CarĂ­ssimo, vocĂȘ que se diz despido de qualquer preconceito,
mas tem impregnado na mente o odor sutil da casa-grande


Depois que quebrei as correntes,
mantendo o fluxo como uma correnteza,
mas agora uma corrente que arrasta e nĂŁo aprisiona,
primeiro questionei
e fui culpado por apontar o erro.

Ao apontar o erro, nĂŁo obtive desculpas,
só indagaçÔes.

E por que calar minha indignação
quando o que sai da minha voz
Ă© o tom de pele preta,
diminuto numa escala difusa?

O pior de estar na guerra
Ă© justo o momento em que vocĂȘ descobre
que o sentimento Ă© um cristal de açĂșcar
num formigueiro,
mas a razĂŁo Ă© amarga
e a ninguém convém tragar.

Mais escura que o brilho da minha alma
Ă© a densidade da minha dor.
Mais lĂ­mpido que meu sorriso
Ă© o latente porquĂȘ sem resposta.

Bom


Os que antes me faziam de tapete
agora tropeçam no incÎmodo
do meu ego ancestral.

Enganam-se
ao jogar desculpas como pĂł secante.

A emoção Ă© autĂȘntica,
as imagens ainda sĂŁo vĂ­vidas
e o tom Ă©, ao mesmo tempo, lĂ­rico e combativo.

O verso?

Esse eu extraio do desdém do seu olhar,
que outrora foi sutil,
mas hoje gargalha na minha face
antes de me intitular
destinatĂĄrio da sua bala perdida.

Meu lombo recita,
em letras garrafais de escrita braille,
o estalar do chicote
e o ranger das correntes
que ainda escravizam minha existĂȘncia.

Há um “que” repetido, eu sei,
e sei que, pra vocĂȘ, nĂŁo Ă© coerente
“corrente” estar no singular.

Mas minha ideologia nĂŁo favorece
o seu engenho de moer cérebros.

Talvez o que vocĂȘ queira seja o plural:

as correntes,

no popular, servidĂŁo total.

Coisa identitĂĄria,
o que vocĂȘ marca como vitimismo.

Mas talvez o orgulho
que vocĂȘ assinou com ferro quente
exalasse menos ao longo da histĂłria
se o tempo me clareasse.

Bom


NĂŁo posso negar que vocĂȘ atĂ© finge tentar,
e o faz assim:

Vergonhosamente, eu digo:
vocĂȘ que roubou para si
o protagonismo do poder mundial.

O medo bate Ă  sua porta,
e o que te assusta
Ă© saber que, com consciĂȘncia,
estamos fazendo o contrĂĄrio
do que vocĂȘ fez
ao arrombar minha casa,
profanar meu santuĂĄrio
e estabelecer o mandato infindo
com pólvora e açoite.

Hahaha.

Hoje, o que vocĂȘ escuta nas comunidades
e abomina com repressĂŁo
Ă© o pancadĂŁo, batida cardĂ­aca
que pulsa o lamento da senzala moderna.

O som da conta chegando,
da histĂłria batendo Ă  porta
para cobrar reparação.

Toc, toc

DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 30/06/2025
Alterado em 24/09/2026
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