D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Pacto semanal
Oração antes de comer o pão que ele,
o destino destinado,
senhor destino, amassou…
Agora engole seco
até que arranhe a alma.

Caríssimo, mais velho que todos os dogmas que os homens criaram
para depois servirem como hóstia aos mais explorados,
lobotomizando a capacidade mental humana
a cada joelho dobrado, depois de cada gole do teu sangue,
servido por aqueles celibatários que adoram o menino.
Não o Jesus…

Essa segunda-feira, eu fiz um pacto com o resto da semana.

Com o dia de hoje, segunda-feira, meu pacto é ter foco e organização.
Com o amanhã, terça-feira, meu pacto é não desistir,
por maior que seja a caminhada.
Com o porvir de quarta-feira, meu pacto é parar e respirar,
para entender que não é a falta de resiliência
que pode me fazer engasgar no percurso,
mas sim a ganância tola de achar
que todos os meus problemas precisam ser resolvidos,
com êxito, em uma só tragada…

Com a quinta-feira, meu pacto é avaliar o que a mão alcançou,
repousar os olhos sobre meus próprios ombros
e me dar os afagos merecidos de um conquistador
que, mesmo não tendo concluído todo o percurso do planejamento inicial,
ao menos percorreu e executou aquilo que o seu bom combate
lhe consagrou como vitória.
Entendo que um copo já está cheio de partículas de ar,
e não vazio, como veem os olhos cegos aos ideais.

Com a sexta-feira, meu pacto inclui
um tratado perpétuo com o sábado e o domingo:
ser feliz, mesmo que a chuva de lágrimas dos ais alheios
tente salgar minha fé e minha razão de viver.
Afinal, o fim de semana começa ali,
no momento em que eu digo.

No fim, eu digo,
ou talvez meu silêncio ecoe até o último segundo, assim:

Ah, luz da manhã…
eles nunca entenderam sua rebeldia sacra…
Talvez, se entendessem, diriam:

Cuidado com os deuses que te querem curvado…
e com os calendários que tentam roubar tua autonomia.
E mais cuidado ainda com sua fé no templo mercador de palavras
e nas revelações dos profetas que negociam e distribuem
as lãs do rebanho do Cordeiro como votos
em nome de Deus e da família.

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Epílogo

Dedicado a você, para mim e para eles,
que realizam sonhos erguendo palácios
com o labor do pesadelo
dos que santificam a crucificação.
E, ao mesmo tempo, apoiam o falso primogênito de Abraão
exterminar os conterrâneos do crucificado.

Que esta semana seja autônoma
entre oração e manifesto,
entre salmo e crônica.

Esteticamente, não seja híbrido: seja inteiro.
Flua como prosa poética,
mas carregue a cadência de uma ladainha moderna.

Filosoficamente, não seja puritano:
seja e viva como licença poética.
Desconstrua a fé cega,
exalte a autonomia
e faça da semana um rito de resistência íntima.

Sinta-se pequeno e grande ao mesmo tempo.
Pequeno, por perceber o quanto fomos condicionados.
Grande, por lembrar que podemos
pactuar com a liberdade todos os dias.

Liberte, que será também libertador.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 04/08/2025
Alterado em 23/04/2026
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