D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Elementar… Aí que está o pulo do gato.
Estimado mártir, você que se enforcou
com as correntes do tic-tac da cronografia, saiba:
gatos usam bigodes para navegar no escuro.
Poderia isso reforçar a ideia
de que a urgência é a escuridão que ensina a evolução?

O que é urgência, afinal?
E que caminhos a elevaram a esse patamar?

É fácil repetir que pau que nasce torto morre torto.
Difícil é lembrar que houve mãos, desde a semente,
podando o que poderia ser caminho.

Será o tempo que corre
ou somos nós que o perseguimos,
sombras sob um sol que nunca se põe
e que às vezes nos cega?
Precisamos da noite, lugar de ver por dentro
e refletir sobre a quantidade de água lançada
ao solo fértil dos dias.

A pressa é filha do medo,
o medo é filho da falta
e a falta nasce do esquecimento
de que já somos completos.
Quem pauta meu ritmo?
Esquecemos nossa inteireza. Corremos para chegar
a um lugar onde já estamos.

Urgência é o vento que balança a folha,
mas não a raiz.
É o rio que corre para o mar
sem saber que já é oceano.

O coração bombeia, o fígado depura.
Que o corpo te ensine o rito.
Filtra-te.

Respira…
O essencial não se apressa.
Espera ser descoberto
no silêncio entre um instante e outro.
É na falta de luz que o tato aprende a guiar.
A noite, o silêncio e o filtro
são atos de cultivo, não de atraso.

Completude esquecida.
A falta nasce do desconhecimento
de que já temos o essencial.
O rio é oceano.
Nós já somos inteiros.

Afinal, o gato não pula por pressa,
mas porque o arco da vida
é um convite ao voo.

O salto verdadeiro nasce do chamado.
Não pular por medo.
Voar por sentido.

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Epílogo do pulo do gato

Serenidade lúcida traz um sossego
que não é fuga, é consciência.
Confiança que dá a sensação
de que o tempo essencial me sustenta, não me cobra.
Afinal, o cuidado é a voz que fala
como quem põe uma mão no ombro e diz:
calma, você não precisa se provar ao relógio.

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Dedicatória ao amigo Martim Ribeiro

Querido irmão na música:

Viver não deveria ser um fardo,
mas é, dependendo de como a luz
chega à sua retina.
Sem peso, não lutarias para emergir
a tua própria vontade.

E pensar que, na ânsia de sentar-se
ao topo do Olimpo,
eles romperam o estômago do tempo
que lhes havia devorado.

Se eles, agora deuses, precisaram desse esforço,
por que nós nos acomodamos
nos ais dos tempos perdidos?

Lembrei dos antigos, os ancestrais vindos de além-mar, que diziam:
o tempo é pai, e não padrasto.
Zará Tempo. Tempo Yiô Reza.

Libertar, que será libertador.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 08/08/2025
Alterado em 23/04/2026
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