

Se quiser uma frase de impacto
Crie, antes que comece a caça às bruxas e queime sua licença poética…
Prelúdio Se busca alívio literário, não leia este poema, pois aqui as palavras não darão redenção à sua consciência… Poeta, se há licença poética, não sei, mas prefiro não estar apático ao narcisismo das pequenas diferenças e aos holofotes que criam mártires tendenciosos. Nem toda comemoração é aplauso. Às vezes, é o silêncio que rompe o coro e traz à tona o que nunca foi dito. Em um texto que nasce no ápice do êxtase emotivo ou na melancolia natimorta que insiste em respirar, enquanto a censura performática cospe na cara do poeta, proclamando-o inimigo dos pseudobons costumes. Desfaçatez insana, malta de acéfalos. Chamar de massa de manobra por caridade, mas não para celebrá-los, e sim para libertar a culpa da subserviência coletiva… Será que temos que parar e entender que vamos encontrar algo fora do padrão? Ou é na categoria do ódio ao outro que a satisfação é gozo e, ao mesmo tempo, desperta curiosidade para a coerência no fim? Agarra-se ao consolo divino vendido no templo salgado por palavras que monetizam o sagrado. É como queimar a retina com imagens do paraíso. Sem pecado, já não sou ímpio e estou salvo. Senhor, crédito ou débito? Mesmo que digas que não é sua culpa que alguém durma embaixo da ponte, ou, se jogaram uma bomba, somos todos genocidas da linhagem “pura” de Abraão. O pai é o mesmo, mas a ganância faminta é a mãe adversa, e os filhos, eles que administram as preces. Que ditam qual joelho dobrado terá uma quadra no céu, se banham de ouro enquanto gritam em frenesi de línguas angelicais: Glória ao senhor das nações. É hora de juntar as pedras em muro de proteção antes que queimem a licença poética em plenário, leis quentinhas que cauterizam cérebros e atrofiam seus dedos. Tempos em que não será a tinta, mas sim a crítica, que será extinta. Seja a serpente e dê de comer ao mundo uma maçã. Antes que seu pensar seja passível de pena de morte e sua língua crucificada. Mas de que valerá o ato do calvário, poeta, se sua palavra não for libertadora? Sem medo de deixar fluir a sinfonia que questiona, a cura da inquietude não se resume a dançar nu na chuva dos acontecimentos… Não, caríssimo. Sê tu um reservatório que mate a sede, a fonte onde jorre clareza. Algumas passagens da história são tão densas. Ingênuo pensar assim, mas, quando o cerne da engrenagem é não alimentar a evolução com cânticos, e sim com dogmas político-religiosos. Talvez o narcisismo das pequenas diferenças seja quase invisível pelo peso literário da palavra “pequenas”. O que me assusta, poeta, não é a palavra em si, mas a falta de percepção do pluralismo gigantesco que dentro dela ecoa. Libertar, que será libertador.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/08/2025
Alterado em 23/09/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |