D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Se quiser uma frase de impacto
Crie, antes que comece a caça às bruxas e queime sua licença poética…

Prelúdio

Se busca alívio literário,
não leia este poema,
pois aqui as palavras não darão redenção à sua consciência…

Poeta,
se há licença poética, não sei,
mas prefiro não estar apático ao narcisismo das pequenas diferenças
e aos holofotes que criam mártires tendenciosos.

Nem toda comemoração é aplauso.
Às vezes,
é o silêncio que rompe o coro
e traz à tona o que nunca foi dito.

Em um texto que nasce no ápice do êxtase emotivo
ou na melancolia natimorta que insiste em respirar,
enquanto a censura performática cospe na cara do poeta,
proclamando-o inimigo dos pseudobons costumes.

Desfaçatez insana,
malta de acéfalos.
Chamar de massa de manobra por caridade,
mas não para celebrá-los,
e sim para libertar a culpa da subserviência coletiva…

Será que temos que parar
e entender que vamos encontrar algo fora do padrão?
Ou é na categoria do ódio ao outro
que a satisfação é gozo
e, ao mesmo tempo,
desperta curiosidade para a coerência no fim?

Agarra-se ao consolo divino vendido no templo salgado
por palavras que monetizam o sagrado.
É como queimar a retina
com imagens do paraíso.

Sem pecado,
já não sou ímpio
e estou salvo.
Senhor, crédito ou débito?

Mesmo que digas
que não é sua culpa que alguém durma embaixo da ponte,
ou, se jogaram uma bomba,
somos todos genocidas da linhagem “pura” de Abraão.

O pai é o mesmo,
mas a ganância faminta é a mãe adversa,
e os filhos, eles que administram as preces.

Que ditam qual joelho dobrado terá uma quadra no céu,
se banham de ouro
enquanto gritam em frenesi de línguas angelicais:

Glória ao senhor das nações.

É hora de juntar as pedras
em muro de proteção
antes que queimem a licença poética em plenário,
leis quentinhas que cauterizam cérebros
e atrofiam seus dedos.

Tempos em que não será a tinta,
mas sim a crítica,
que será extinta.

Seja a serpente
e dê de comer ao mundo uma maçã.

Antes que seu pensar
seja passível de pena de morte
e sua língua crucificada.
Mas de que valerá o ato do calvário, poeta,
se sua palavra não for libertadora?

Sem medo de deixar fluir a sinfonia que questiona,
a cura da inquietude
não se resume a dançar nu na chuva dos acontecimentos…

Não, caríssimo.
Sê tu um reservatório que mate a sede,
a fonte onde jorre clareza.

Algumas passagens da história são tão densas.
Ingênuo pensar assim,
mas, quando o cerne da engrenagem
é não alimentar a evolução com cânticos,
e sim com dogmas político-religiosos.

Talvez o narcisismo das pequenas diferenças
seja quase invisível
pelo peso literário da palavra “pequenas”.

O que me assusta, poeta,
não é a palavra em si,
mas a falta de percepção
do pluralismo gigantesco
que dentro dela ecoa.

Libertar, que será libertador.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/08/2025
Alterado em 23/09/2026
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