

Quem vê e não colhe, não come e não leu…
Quando o poeta mergulha no vácuo da inspiração,
as memórias despencam, choram como criança órfã no parque de diversões, sentada no carrossel da verdade. Poeta, tu que semeias em terra infértil, hoje não colherás fruto para dar de comer a bocas famintas de silêncio. Não deitarás no papel devaneios que engravidam o intelecto do sommelier literário. E dos dedos do saciado já caem pontos e vírgulas, última gotícula de sêmen nas entrelinhas de uma novata no cio… Quando a posse é impossível, sonhar consola. Embebido em sentimentos, a imaginação supre a falta da realidade a uma alma vestida de um corpo despido de pele, crença e moral. O cérebro é mãe, alimenta-nos com ideias quando a realidade nos nega o fruto regado em lágrimas dos sóis de inverno. Ver não é ter. Quem garante pode estar enganado. Palavras não enchem a barriga. A visão não é posse. A palavra de outrem é falível. Porém, escrevo para alimentar quem? Quem são vocês que degustam do banquete do mártir? No piscar dos olhos me pergunto: qual mentira preciso inventar para que o texto se materialize? Um poema ousado demais para ser neutro. Se vai provocar choque, rejeição e fascínio, ou se será desses que o público ama ou detesta, ninguém ficará indiferente. E isso é o sinal de uma obra viva. Quem mente… um pai que não distorce a senda que a sina talhou para o filho trilhar? Ela é a gênese, aquela que assimila os eventos cotidianos e pare mais uma criação para desafiar os paradigmas da arte? E, no precipício do nada, um bardo em êxtase, precipitando-se sem rumo, vociferando matizes, no fundo, o que ele quer é que não haja fundo.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 28/08/2025
Alterado em 23/04/2026 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |