D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Quem vê e não colhe, não come e não leu…
Quando o poeta mergulha no vácuo da inspiração,
as memórias despencam, choram como criança órfã
no parque de diversões, sentada no carrossel da verdade.

Poeta, tu que semeias em terra infértil,
hoje não colherás fruto para dar de comer
a bocas famintas de silêncio.

Não deitarás no papel devaneios que engravidam
o intelecto do sommelier literário.
E dos dedos do saciado já caem pontos e vírgulas,
última gotícula de sêmen
nas entrelinhas de uma novata no cio…

Quando a posse é impossível, sonhar consola.
Embebido em sentimentos,
a imaginação supre a falta da realidade
a uma alma vestida
de um corpo despido de pele, crença e moral.

O cérebro é mãe, alimenta-nos com ideias
quando a realidade nos nega o fruto
regado em lágrimas dos sóis de inverno.

Ver não é ter.
Quem garante pode estar enganado.

Palavras não enchem a barriga.
A visão não é posse.
A palavra de outrem é falível.

Porém, escrevo para alimentar quem?
Quem são vocês que degustam
do banquete do mártir?

No piscar dos olhos me pergunto:
qual mentira preciso inventar
para que o texto se materialize?

Um poema ousado demais para ser neutro.
Se vai provocar choque, rejeição e fascínio,
ou se será desses que o público ama ou detesta,
ninguém ficará indiferente.
E isso é o sinal de uma obra viva.

Quem mente…
um pai que não distorce a senda
que a sina talhou para o filho trilhar?

Ela é a gênese, aquela que assimila os eventos cotidianos
e pare mais uma criação para desafiar os paradigmas da arte?

E, no precipício do nada,
um bardo em êxtase,
precipitando-se sem rumo,
vociferando matizes,

no fundo, o que ele quer
é que não haja fundo.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 28/08/2025
Alterado em 23/04/2026
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