

Corre, que lá vem a histeria…
Meu eu, companheiro de tantas ofensas,
sente-se aqui, que vamos conversar. Porém, na pior das hipóteses, enfie a cabeça em um buraco e deixe a cauda de pavão à vista, que isso pode doer. Hoje passei a noite pensando no quanto a falsidade humana é um ácido que corrói o mundo, destrói amizades e alimenta o ego vazio daquele que, em silêncio, maquina a decadência alheia. Também pensei naquele velho dito popular que diz: quer ver a real face de uma pessoa, dê poder a ela, que o peso da sua soberba fará a máscara cair, revelando o seu eu verdadeiro. A voz do povo é seu subconsciente, e não a voz de Deus. É por isso que me causa incômodo a esquizofrenia do passivo-agressivo. Hoje faz frio aqui fora, porém, dentro de mim, há tanto calor e vontade de mudar o mundo. Mas não é na minha eloquência de poeta que isso se resolve. Algo me vem e me diz: Sanidade, não ferva sentimentos. Tenha calma. Ele não quer ser mudado. E eu respondo, ao mesmo tempo em que, incomodamente, me pergunto: O que é isso, companheiro? Eu não sou surdo ao ponto de não enxergar o odor das palavras dos que conspiram nas sombras e só colocam o rosto ao sol para me chamar: amigo…? É só isso que eles suportam do brilho natural das coisas. Porém, inconscientemente, eles sabem que nunca serão. Porque, para ser, é preciso abraçar a verdade e, ao fazer isso, automaticamente, a incompetência te serve uma gota de clareza. Agora bebe da luz e vira cinza. E, quem sabe, a fênix que você aprisionou por querer ser quem não pode renasça e te faça um ser humilde, despido das mentiras que a fama cozeu para você. Legal, não, caríssimo? A vida requer mais. Isso é humanismo do som, não criação que habita no amarelo dos dentes, nessas horas gotejando elogios enquanto mordem a língua. Isso passa quando a alma é cega. Aqui, hoje, a temperatura é treze abaixo de zero, porém um sorriso aquece o ar por onde eu passo e convida o sol a cantar mais uma sinfonia na aurora dos tempos. Agora rebobine tudo escrito até aqui, eu… E saio de mais uma leitura crítica convicto de que construí mais um degrau para o meu epílogo. Ais de uma antologia crônica, onde o aqui jaz, jamais.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 19/02/2026
Alterado em 25/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |