D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Musamusica, trava-língua corporal
E ao abrir os ouvidos, vi sua imagem.
Descobri que te amava.

A imagem é enganosa e,
sem saber, o que nos ligava era a música,
a ancestralidade
e uma herança que vem de bem longe.

O ponto de partida
era o ventre que pariu a África.

De verdade,
eu já te amava.

O amor aqui não é de amante,
nem de submissão ao que a matéria eterniza
na imagem que a retina captura
e escraviza no desejo.

Não o amor da consumação.
Não o carnal, tampouco o da idolatria,
e muito menos o de apropriar-se
ou ostentar.

Não.

Eu não falo disso.

Eu digo aos pensamentos:

Música em natura não se domina.

Natureza é bem comum,
ligação à coletividade.

Amor suspenso em partículas sonoras
que fecunda o sorriso,
a alegria de sentir a vida em canção.

Cordão umbilical
que mantém o tudo e o nada
em conexão com a explosão do universo,
origem da criação.

Falo do amor de energia cúmplice.

Do amor de irmãos.

Do amor da casa das ideias,
onde a inspiração habita e o

bop doo-bee-doo
shoo-bee-doo bop

flui direto da nascente.

Descrevo o amor que corta o ego,
fere a soberba
e desmascara o mito.

E como não amar
esse pulsar gostoso que é você,

que contagia até as moléculas de água
que existem em mim.

Você é a música.

O tambor que rompe o dia
através da noite rítmica.

O compasso introvertido de uma semifusa,
em tom maior
ou menor,

depende da intensidade,
da densidade
e da vibração.

Você:

livre,

poética

e transcendente.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/02/2026
Alterado em 29/05/2026
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