

Musamusica, trava-língua corporal
E ao abrir os ouvidos, vi sua imagem.
Descobri que te amava. A imagem é enganosa e, sem saber, o que nos ligava era a música, a ancestralidade e uma herança que vem de bem longe. O ponto de partida era o ventre que pariu a África. De verdade, eu já te amava. O amor aqui não é de amante, nem de submissão ao que a matéria eterniza na imagem que a retina captura e escraviza no desejo. Não o amor da consumação. Não o carnal, tampouco o da idolatria, e muito menos o de apropriar-se ou ostentar. Não. Eu não falo disso. Eu digo aos pensamentos: Música em natura não se domina. Natureza é bem comum, ligação à coletividade. Amor suspenso em partículas sonoras que fecunda o sorriso, a alegria de sentir a vida em canção. Cordão umbilical que mantém o tudo e o nada em conexão com a explosão do universo, origem da criação. Falo do amor de energia cúmplice. Do amor de irmãos. Do amor da casa das ideias, onde a inspiração habita e o bop doo-bee-doo shoo-bee-doo bop flui direto da nascente. Descrevo o amor que corta o ego, fere a soberba e desmascara o mito. E como não amar esse pulsar gostoso que é você, que contagia até as moléculas de água que existem em mim. Você é a música. O tambor que rompe o dia através da noite rítmica. O compasso introvertido de uma semifusa, em tom maior ou menor, depende da intensidade, da densidade e da vibração. Você: livre, poética e transcendente.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/02/2026
Alterado em 29/05/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |