

Amar também é dizer: amigo não posso
Meu ego,
amar é dever conter. Então inspira bem estas palavras, mas cuidadosamente, para que você não exploda, dissipando-se na falta de ar da vaidade, e morra no salão das expectativas vazias. Qual mantra eu diria aos dias em que a dúvida lateja, criando frestas utilitárias? Prefiro desatar o nó da concordância afetiva e quebrar o acesso fácil e exclusivo que, no poente das palavras, faz a culpa, senhora astuta e fria, roubar a cena para acender a vontade de dizer sim impulsivamente. Pois aí está o problema que forja a mágoa nos seres: o impulso do sim sem pensar, que te causa encargos de consciência. É preciso entender que não orbita sobre mim a responsabilidade de adoçar um mar salgado de ais. Porém, os vínculos que me fazem habitar corações cujas águas oscilam conforme o fluxo da maré cotidiana me obrigam, às vezes, ao papel de inquilino gentil. Lembre-se de ser humano ao racionalizar sentimentos. Com coerência. E, se a moral doce der lugar à diplomacia da entrega, diga a si mesmo: Que hoje a calma organize os pensamentos, a coragem sustente as escolhas e a sensibilidade nos lembre que avançar também é saber respirar. Que seja um dia de passos firmes, encontros sinceros e pequenas vitórias que façam sentido. Saber dizer não também é um ato de bondade, quando a palavra nasce da mais sincera amizade. Isso fortalece os laços sem plantar, no outro que precisa, a semente da esperança equivocada, evitando o crescimento da árvore da decepção. Não hoje, ego meu. Hoje, jamais. Ser ponderado também é cuidar com amor.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 26/02/2026
Alterado em 29/05/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |