

Navegue no ranger dos dias
Ao náufrago do tempo no mar de certezas cegas
Eu diria… Que, nas águas que Cronos usa para mapear sua jornada em gotas abissais de um tic-tac hipnótico, seja você quem decida o curso em que sua consciência vai navegar. Não as ondas tendenciosas, não o vento ocasional e muito menos o fluxo cômodo da correnteza das opiniões alheias. Seja você o comandante dessa nau chamada destino. E, quando o casco ranger sob o peso do que não se pode ver, quando o horizonte se fechar como um punho sobre o dia, lembre: há outros barcos acesos nessa mesma noite, e a solidariedade é o farol que se acende de proa a proa. Porque o amor não é porto, mas a certeza do cais; a esperança, a maestra vidente que insiste em apontar o céu; a empatia, o mergulho silencioso que resgata o que as ondas já chamavam de perda definitiva. Então, que teu leme seja firme, mas não de ferro; que seja feito da madeira dos naufrágios que testemunhaste e que tua tripulação seja formada por todos os que um dia estenderam a mão sem exigir a rota. Pois o destino não se traça sozinho sobre o mapa: traça-se a muitas mãos, sob o mesmo céu instável, quando um barco se inclina para outro na tormenta e juntos descobrem que o mar não é abismo, é o lugar onde se aprende, afinal, que ninguém singra só. Me lembrei de Arlindo Cruz: “E ser só não é estar numa ilha, é ser uma ilha.”
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 21/03/2026
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