

A parede pendurada na máscara
Querido amigo, reparou que na parede atrás de mim se penduram muitas máscaras?
Cada máscara esconde por trás de si uma parede de concreto, mas com alguns buracos que a reforma não alcançou tapar. E ainda há os pregos que sustentam as máscaras suspensas na parede, os quais martelei com distintos sentimentos. Difícil perceber os dias em que a fúria aflorou em meus olhos, ou nas manhãs em que o meu sorriso despertou o sol que ainda se deitava com a lua. Voltemos às máscaras… Não, eu não sou de muitas faces. Talvez por isso eu as deixe expostas na minha parede amarela, da cor do sorriso do objetivista. Pois, além de buracos, elas também escondem imperfeições no acabamento da pintura, distorções na magenta existencial da fundação da casa de que minha consciência é inquilina perpétua. Minha tese é minha vida. Meu método é a travessia. Minha bibliografia é a rua. Elas não são para conveniência de diálise ou monólogos… Não! Somente maquiam a minha parede. Pode parecer fácil derrubar a parede; agora eu quero ver decifrar as máscaras.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 23/03/2026
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