D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Primeiro de abril sem calendário
Dizem que hoje é o dia da mentira,
como se ela tivesse hora marcada
para sair à rua
sem pedir desculpa.

Mas há verdades que acordam vestidas de ficção
e atravessam o dia com naturalidade,
sentam à mesa,
assinam presença no relógio
e chamam de rotina o que nunca foi inteiro.

Rimos do engano anunciado,
do truque que se revela no fim,
enquanto sustentamos, com seriedade exemplar,
acordos invisíveis
que ninguém lembra quando começou a aceitar.

Há mentiras que não ferem,
apenas organizam o caos.
Como dizer “está tudo bem”
quando o corpo negocia silêncio
para não desabar no meio da tarde.

Outras são abrigo.
Pequenas construções de sobrevivência
erguidas com palavras mansas,
onde a gente repousa
para continuar sendo amanhã.

E há as que se repetem tanto
que ganham textura de verdade,
circulam como moeda corrente,
compram certezas
e vendem pertencimento.

Primeiro de abril passa.
A piada se encerra,
as máscaras são guardadas
no mesmo lugar de sempre.

Mas fica um ruído baixo,
anterior ao gesto,
lembrando que talvez não seja sobre mentir,
mas sobre o quanto suportamos saber
e mesmo assim seguir.

No fim,
cada um assina sua própria versão dos fatos
com a caligrafia que dá conta.

E chama de vida
o que foi possível dizer
sem quebrar por dentro.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/04/2026
Alterado em 29/05/2026
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