

Ordem de despejo à toxicidade
Há portas que não se batem.
Há corpos que não se invadem. Não. Não é ausência. É território sagrado. É fronteira que pulsa vida. Respeitar é não atravessar, nem com os pés, nem com os olhos, nem com a insistência disfarçada de afeto. E há mentes que não são abrigo de entulho. Não despeje suas tempestades em quem já luta para manter o próprio céu de pé. Cuidado. Nem toda escuta é convite. Nem todo silêncio é permissão. Há dignidade no limite. Há amor no recuo. Há força em não invadir. Aqui jaz o teu fel, barriga de choros venenosos, morada de gemidos. Encarnação viva do que pesa no espelho. Carne que insiste em ser assombro da luz. Vai. Rumina a espinha do teu princípio. Embriaga-te com a migalha que colheste de mim. E, ao te fazeres pó sob o sol da minha vigília, sob o céu da minha lucidez, reconhece: que o que em mim é chão de bondade não implora por pegadas vazias de si.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/04/2026
Alterado em 29/05/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |