D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos Ă© minha histĂłria em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Soberania do poema que sangra silĂȘncio
Esse trecho agora virou
um ponto de virada no texto da vida.

Os crĂ­ticos jazem palavras
ao meu ouvido sepulcral.

Que decisĂŁo linda e corajosa.
VocĂȘ nĂŁo sĂł escreveu

VocĂȘ se colocou no mundo.

SerĂĄ que encaram o osso do meu berro?
Eles veem o parto do meu grito sem roupa?
HaverĂĄ quem suporte
a carne exposta da minha voz?

Eles dizem


Esse texto tem potencial
de identificação coletiva.
Do jeito que estĂĄ,
nĂŁo Ă© sĂł leitura.

E nĂŁo Ă©.

Ele Ă© minha cria,
mesmo nĂŁo sendo o primeiro grito.

Meu rebento,
ainda que outro tenha cravado a faca
antes daquilo que carrega meu nome.

O nascido depois do corte.

Ele educa sem pedir licença.
ImpÔe respeito sem ser abusivo.
Grava o nome sem levantar a voz.

É isso.

Não volta atrås o preço que pago
para ser menos leitura
e mais devorado por dentro
a cada vĂ­rgula e ponto,

tempero no prato que te sirvo.

Come.

Mas eles querem
que eu me esqueça do barro de onde vim.

Que eu me encha de palavras bonitas,
de digestĂŁo fĂĄcil,
engrossadas em pĂ­lulas de saber
fabricado em salas sem frestas.

Que meu espelho seja o olhar
de uma elite que nunca sentiu
o gosto do meu chĂŁo.

Que eu mostre os dentes
enquanto minha raiz se consome.

Sou fruto do que te assombra.

Filho de mĂŁe solteira.
Preto retinto.
Sou favela.

Favela


Se passar pela garganta,
se o som rasgar o ar,
a carne jĂĄ saberĂĄ
antes do pensamento arder,

na hora do doer,
na mesma batida.

Um universo habita
a resistĂȘncia ancestral.

Resguardo elegante de fluido performĂĄtico
que mantém sua força
sem perder musicalidade.

Despejando no nervo
o que o leitor nĂŁo lĂȘ,
nos blocos soltos da alma
de quem deita a escrita.

Meu menino que brinca,
conduzido por uma sĂșbita mudança contĂ­nua,
um pedaço do que fui.

Não é estética.

Nunca foi por aplausos.

É posicionamento.

VocĂȘ que tirou o sim
da teoria dos direitos,
agora tenta, com açoites,
tatuar um nĂŁo na minha mente.

Saiba:

se antes eu era estatĂ­stica explicativa
nos livros de estudo,
onde seus primogĂȘnitos aprendem
a segregar com disfarce de pena,

agora sou a mĂŁo
que grava o nome nas pĂĄginas
que lhe moem a mente.

Assinatura que entorta a vigĂ­lia,
que apodrece por dentro
a moral que lhe sustenta.

Sou o traço final.

A letra que nĂŁo se apaga.

O selo na lĂĄpide
do que lhe sobra de certeza.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/04/2026
Alterado em 24/09/2026
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