D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos Ă© minha histĂłria em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Eis aqui meu fruto, a poesia.
No começo era o fio,
dois olhos que pesam o movimento,
que soldam a hora
no peito do instante que o sopro levou.

Esse par de Ă­ris que nĂŁo pisca,
que lambe o gesto
e congela o instante
que a respiração roubou.

Entre poeta e corpo pĂĄlido,
sem vida, do papel,
existe um cérebro
que controla a narrativa
bem antes da letra
que habita uma palavra louca.

Sim,
nesse coito literĂĄrio,

ele insiste em ejacular palavras
que fecundam,
como feto que ganha forma
no amadurecimento do seu tempo.

E isso Ă© belĂ­ssimo.

Escolhe a medida certa,
vocĂȘ que brinca de ser Deus
nas linhas que anseiam deitar-se contigo.

Porque a boca que o poema abre
nĂŁo Ă© para mendigar, em eco,
que o sujeito salve o mundo.

É saber que o seu instante já ardeu
enquanto vocĂȘ lia
no intervalo que lhe restou
antes de a pĂĄgina virar silĂȘncio.

Sangue do meu pensar.

Carne da minha escrita.

JĂĄ nasce com aquilo
que eu nĂŁo tenho:

tĂ­tulo.

Pode, sim,
ter algo de sabedoria
ou declaração de amor.

Às vezes,
meu menino Ă© quase espiritual,

mas nunca se veste de samaritano
para transformar-se em moralismo.

Nunca.

O fruto apodrece
onde a copa alcança.

E a obra nĂŁo tem doutrina para vender.

O que nasce de mim
nĂŁo prega sermĂŁo.

É um fecho
de responsabilidade humilde.

O traço é breve,
eu sei.

Mas nem sempre é estilhaço.

NĂŁo se quebra.

Desce por veias
de razĂŁo e de carne.

Pequeno risco
que nĂŁo Ă© ruĂ­na.

Corre por trilhos
de lĂłgica e de gozo.

Às vezes,
peripécias na abertura metafísica do ser.

E, no papiro,
dançam trechos
da universalidade do pensar

que alcançam mentes
dispostas a racionalizar
o que lhes toca.

Racionalidade


O convite a ver os ossos
antes mesmo que a carne dos dedos
pulse eloquĂȘncias,

enquanto a lĂ­ngua calada
jaz numa golada
de café quente.

Se este final conversa perfeitamente
com o tĂ­tulo?

Quem sabe?

Se ainda nĂŁo for o que deseja,
saiba que o mesmo corpo
que me fez inclinar sobre o papel

agora te chama
a debruçar-te sobre o que nasceu,

como Ășltimo gesto
de habitar o que foi dito.

Agora te inclina
a colher leitura.

Se o tĂ­tulo manda viver,

o final responde:

viver Ă© fazer
o tanto que te cabe,

deitar estas linhas
para saciar meu vĂ­cio.

Hum


Por deveras penso
ser eu um necromante,

ao trazer de volta Ă  vida
fragmentos de ĂĄrvores,

imbuindo-lhes meus devaneios.

Mas sĂł por deveras
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/04/2026
Alterado em 29/05/2026
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