D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos Ă© minha histĂłria em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Carta ao desejo
Eu te desejo, mas, acima disso, eu te admiro.
E, mesmo se vocĂȘ se afastar, brilhe,
porque sua luz jĂĄ estĂĄ em mim.

Meu cristal precioso


Amar alguĂ©m Ă© reconhecĂȘ-lo como um universo,
nĂŁo para explorar, mas para honrar.

Amar Ă© mais do que sentir:
Ă© estudar, desvendar, respeitar, ouvir o grito escondido por trĂĄs do sorriso,
dançar com os ciclos e não tentar domå-los.

TucumĂŁ, manjar dos deuses terrenos,
que escorre entre os dedos como o tempo,
doce, ĂĄspero e vital,
que anseio provar em seu néctar.

O sabor eu jĂĄ imagino, com sede:
tem gosto de vida
e amor numa rede.

VocĂȘ?

VocĂȘ
 vocĂȘ nĂŁo canta.

VocĂȘ me conecta com uma força maior
que faz pulsar em mim uma alegria
que represa minha alma
para nĂŁo se derramar em rios tristes.

Abre portais onde palavras viram
constelaçÔes de significados ainda não revelados.

VocĂȘ, poema, Ă© um

asterismo regando versos
com seu ciclo lunar,

vitória-régia, régia, coroando Iara,

flutuando no fluxo da Via LĂĄctea.

Seu sorriso,

um fenĂŽmeno literĂĄrio
que desafia as leis da fĂ­sica emocional.

A cada leitura do seu sorriso,

suas covinhas no canto da boca
me revelam novas partĂ­culas de sentido,

que minha retina fotografa:

a pureza de uma mulher,

um ser que ama como uma criança.

Cada fragmento do seu movimento lĂ­rico
Ă© uma descoberta no colisor de versos.

Agora, solte-se no cosmos

que eu vejo na imensidĂŁo
do abismo de luz lĂ­quida
do seu olhar.

Talvez seja reflexo da sua alma.

Mas ali dentro também ouço um grito de basta.

NĂŁo um pedido de socorro.

Até porque a felina que habita por trås
dessa mĂĄscara de mulher frĂĄgil

Ă© muito mais potĂȘncia
que todos os leÔes da Terra.

Pergunte, sem microfone, ao seu ego:

serĂĄ o amor uma forma de astronomia Ă­ntima,

onde mapeamos constelaçÔes
nos olhos do outro?

VocĂȘ Ă© uma estrofe primordial
do cùntico de pajelança em um rio amazÎnico:

na superfície, reflete o céu e o lirismo;

nas profundezas, esconde piranhas, a revolta,

e frutos dourados, a esperança.

Liberte-se sendo liberdade.

Brilhe sendo nĂșcleo do Sol.

Porque até os buracos negros,
esses silĂȘncios curvos,
precisam de luz,
de um gume de presença,
e de matéria para mastigar,

para que o nĂșcleo,
esse coração de espanto,
nĂŁo se rasgue
no vazio da prĂłpria eclosĂŁo.

NĂŁo sei.

Certeza, sĂł tenho uma:

ao ver seu sorriso,

meu coração dança
ao ritmo de uma evocação tribal.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 13/04/2026
Alterado em 29/05/2026
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