

Se tirar o excesso, sobram os ais
ViverâŠ
NĂŁo precisa mais mexer. NĂŁo precisa mais corrigir. NĂŁo precisa mais explicar. NĂŁo Ă© o excesso que destrĂłi, Ă© o momento em que ele deixa de ser vivido e passa a ser suportado. Quem decide o que vocĂȘ pode fazer com seus ais? Os que se tomam por brasa, mas, no fundo, sĂŁo cinzas que jazem. Deitam-se carregando a urgĂȘncia de justificar o que acreditam na prĂłpria imagem. Suas desculpas, que ardem atĂ© que sua carne apodreça, alĂvio momentĂąneo, sabor de absinto. E dizem: beba⊠Rumo que se refaz sem repetir o passo, mais fiel ao tom que vocĂȘ tem construĂdo com risos e fadigas. Mesmo centro, outro corte. Agora sem plantar os pĂ©s no passo derradeiro. Mas hĂĄ os que parasitam a fresta das indignaçÔes, tentando acender argumentos que te atraem Ă fĂșria. E o que sobra do juĂzo ele devora no mesmo instante em que te toca os olhos. Fissura de delĂrios. Deglute a atenção que lhe Ă© roubada. EstĂĄ posta a mesa dos mĂĄrtires⊠VocĂȘ nĂŁo! Ternura do som de quem sabe quando vĂȘ. Ăs o nome que nada de braçada em mares de baba ĂĄcida que regurgitam o cansaço do ser nas entrelinhas do monĂłlogo aconchegante. Tudo devoram e cospem fastio, com nojo do mundo nas entranhas da barriga que o rei habita. VocĂȘ sente que hĂĄ mais coisas a desbravar para alĂ©m dos limites das conversas de canto de boca. LĂĄ, onde a delicadeza que sorri amarelo bate de frente com quem carrega o ouvido limpo de medo. Surdo a todo ruĂdo que derruba a cabeça, em solo banhado pelo que fica da labuta, fĂ©rtil de conselhos que depreciam a alma. Ă sĂł olhar direitinho. VĂȘ, na companhia dos que sabem trabalhar a exaltação sem cair no clichĂȘ dos segundos sem importĂąncia. E, se despertar deveras perdido, o poema assume a responsabilidade, ao vivo e em cores. Agora que o eu lĂrico da sua trajetĂłria nĂŁo quer devorar o ontem. SĂł reconheça que, talvez, sentir a luz dos fatos do que lhe foi negado nĂŁo trinca no ranger dos dentes. Pronto. Agora Ă©s o primordial na linha do seu tempo. VocĂȘ que teve a pachorra de contestar o espelho. Isso Ă© raro e bonito. Quase atemporal. A engrenagem que convida a pensar⊠O amor prĂłprio. NĂŁo Ă© captura. Ă leitura profunda que te desprende do outro que te rodeia. Ruptura que nĂŁo apaga o amanhĂŁ coletivo. O momento de cortar a carne para enxergar o osso que sangra chegouâŠ
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 14/04/2026
Alterado em 27/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |