D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos Ă© minha histĂłria em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Se tirar o excesso, sobram os ais
Viver


NĂŁo precisa mais mexer.
NĂŁo precisa mais corrigir.
NĂŁo precisa mais explicar.

NĂŁo Ă© o excesso que destrĂłi,
Ă© o momento em que ele deixa de ser vivido
e passa a ser suportado.

Quem decide o que vocĂȘ pode fazer com seus ais?

Os que se tomam por brasa,
mas, no fundo, sĂŁo cinzas que jazem.

Deitam-se carregando a urgĂȘncia
de justificar o que acreditam
na prĂłpria imagem.

Suas desculpas, que ardem
até que sua carne apodreça,
alĂ­vio momentĂąneo, sabor de absinto.

E dizem: beba


Rumo que se refaz sem repetir o passo,
mais fiel ao tom que vocĂȘ tem construĂ­do
com risos e fadigas.

Mesmo centro, outro corte.
Agora sem plantar os pés
no passo derradeiro.

Mas hĂĄ os que parasitam
a fresta das indignaçÔes,
tentando acender argumentos
que te atraem Ă  fĂșria.

E o que sobra do juĂ­zo
ele devora no mesmo instante
em que te toca os olhos.

Fissura de delĂ­rios.
Deglute a atenção que lhe é roubada.

Está posta a mesa dos mártires


VocĂȘ nĂŁo!

Ternura do som
de quem sabe quando vĂȘ.

És o nome que nada de braçada
em mares de baba ĂĄcida
que regurgitam o cansaço do ser
nas entrelinhas do monĂłlogo aconchegante.

Tudo devoram
e cospem fastio,
com nojo do mundo
nas entranhas da barriga que o rei habita.

VocĂȘ sente que hĂĄ mais coisas a desbravar
para além dos limites
das conversas de canto de boca.

LĂĄ, onde a delicadeza que sorri amarelo
bate de frente com quem carrega
o ouvido limpo de medo.

Surdo a todo ruĂ­do
que derruba a cabeça,
em solo banhado pelo que fica da labuta,
fértil de conselhos que depreciam a alma.

É só olhar direitinho.

VĂȘ, na companhia dos que sabem
trabalhar a exaltação
sem cair no clichĂȘ
dos segundos sem importĂąncia.

E, se despertar deveras perdido,
o poema assume a responsabilidade,
ao vivo e em cores.

Agora que o eu lĂ­rico da sua trajetĂłria
nĂŁo quer devorar o ontem.

Só reconheça que,
talvez, sentir a luz dos fatos
do que lhe foi negado
nĂŁo trinca no ranger dos dentes.

Pronto.

Agora és o primordial
na linha do seu tempo.

VocĂȘ que teve a pachorra
de contestar o espelho.

Isso Ă© raro e bonito.
Quase atemporal.

A engrenagem que convida a pensar


O amor prĂłprio.

NĂŁo Ă© captura.

É leitura profunda
que te desprende
do outro que te rodeia.

Ruptura que nĂŁo apaga
o amanhĂŁ coletivo.

O momento de cortar a carne
para enxergar o osso que sangra
chegou

DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 14/04/2026
Alterado em 27/09/2026
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