

Letra, papel, leitura
Escorrer por mim
costume de parir sílabas… Peso que não oscila na carne do som. Que engravida o pensamento no escuro da letra. Que dialoga e semeia. Faz a luz da razão boiar no que não tem fundo. Trave que não cede no tato da palavra que rasga o ventre do que pensa. Com a agulha que não treme no prato da voz que faz nascer no vazio da cabeça. A letra, que no papel eterniza universos de fantasias ou memórias. O sentido é de quem morde a linha com a vista faminta. O que ali está começa onde o olho mastiga sem nunca saciar, não pede tradução… Rompendo o que se aguardava, a vontade que alonga folhas onde os dedos pousam leves, à espera do que vem. Anseio que acolhe mais páginas sob mãos do decifrador de mundos, o que tenciona pálpebras nas entrelinhas do que foi escrito. Quem abre a caixa que o olho se joga, na cicatriz do que ainda pulsa ao tocar. Quem pariu? O que nasceu? E o que fica pra posteridade? Fios que estendem a narrativa. E se perdem na corrente que soma emoções do coexistir. Autor, obra e leitor
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 20/04/2026
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