D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Ciclo da colmeia: a doçura que se espelha no ferrão
Sim, tu,
a quem a vida não conseguiu amargar…

Há dias em que o mundo pesa no osso,
em que o silêncio grita mais alto que qualquer palavra
e o espelho devolve uma versão cansada de si.

Eu sei.

Mas escuta:
nem tudo que se repete é castigo.
Às vezes, é a vida insistindo
até tu aprenderes a te escolher.

Tu foste rejeitada
antes mesmo de aprenderes a te defender.

E, ainda assim… ficaste.

Ficaste viva.
Ficaste inteira dentro do possível.

E agora a vida te coloca diante de espelhos
que doem de olhar.

Mas não é para te quebrar a vontade.

Nunca foi…

Tu, o zum-zum que polemiza sonhos.

No jardim das mudanças, ainda que tardias,
a vida dança e te convida
como uma melodia que soa como obrigação…

Mas não.

É sobrevivência em estado bruto,
criatura operária.

Para te mostrar
que precisas continuar
o ciclo do mel que escorre nos dias.

Nem tudo que vem de ti
precisa ser herdado por quem vem depois.

Somente a vida já basta.

Tu és a ruptura.

És a pausa no grito,
o freio na queda,
a mão que decide não empurrar de volta.

E, mesmo assim…
mesmo sangrando por dentro,
tu crias.
Tu cuidas.
Tu sustentas.

Teu corpo já foi território de julgamento,
mas também é templo.

Teu desejo não é erro,
é linguagem viva do que pulsa em ti.

Ser humano.
Ser criador diante da criação em fúria.
Ser livre naquilo que amas.

Isso não é fraqueza.

É própolis lúcida.
É revolução silenciosa.

Mas não te enganes:
amar não é te abandonar.

Há limites que também são amor.
Há “nãos” que salvam.

Tu não precisas aceitar tudo
só para não ficares sozinha.

Porque tu não estás só.

Tu tens a ti.

E isso…
já é uma multidão inteira de coragem.

A vida como mel sob as ordens da rainha.

Até os segundos se fazem operárias
dessa colmeia do tempo.

Realidade,
até o teu nome ensina
que nem toda doçura nasce pronta.

Algumas enfrentam ferrão
antes de existir.

E, ainda assim… adoçam o mundo.

Respira.

Levanta.

Olha de novo.

Não para repetir,
mas para escolher diferente.

Porque tu podes.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 30/04/2026
Alterado em 25/09/2026
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