

Ciclo da colmeia: a doçura que se espelha no ferrão
Sim, tu,
a quem a vida não conseguiu amargar… Há dias em que o mundo pesa no osso, em que o silêncio grita mais alto que qualquer palavra e o espelho devolve uma versão cansada de si. Eu sei. Mas escuta: nem tudo que se repete é castigo. Às vezes, é a vida insistindo até tu aprenderes a te escolher. Tu foste rejeitada antes mesmo de aprenderes a te defender. E, ainda assim… ficaste. Ficaste viva. Ficaste inteira dentro do possível. E agora a vida te coloca diante de espelhos que doem de olhar. Mas não é para te quebrar a vontade. Nunca foi… Tu, o zum-zum que polemiza sonhos. No jardim das mudanças, ainda que tardias, a vida dança e te convida como uma melodia que soa como obrigação… Mas não. É sobrevivência em estado bruto, criatura operária. Para te mostrar que precisas continuar o ciclo do mel que escorre nos dias. Nem tudo que vem de ti precisa ser herdado por quem vem depois. Somente a vida já basta. Tu és a ruptura. És a pausa no grito, o freio na queda, a mão que decide não empurrar de volta. E, mesmo assim… mesmo sangrando por dentro, tu crias. Tu cuidas. Tu sustentas. Teu corpo já foi território de julgamento, mas também é templo. Teu desejo não é erro, é linguagem viva do que pulsa em ti. Ser humano. Ser criador diante da criação em fúria. Ser livre naquilo que amas. Isso não é fraqueza. É própolis lúcida. É revolução silenciosa. Mas não te enganes: amar não é te abandonar. Há limites que também são amor. Há “nãos” que salvam. Tu não precisas aceitar tudo só para não ficares sozinha. Porque tu não estás só. Tu tens a ti. E isso… já é uma multidão inteira de coragem. A vida como mel sob as ordens da rainha. Até os segundos se fazem operárias dessa colmeia do tempo. Realidade, até o teu nome ensina que nem toda doçura nasce pronta. Algumas enfrentam ferrão antes de existir. E, ainda assim… adoçam o mundo. Respira. Levanta. Olha de novo. Não para repetir, mas para escolher diferente. Porque tu podes.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 30/04/2026
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