

Para quem interessar, minha crítica não jaz
Quero aqui criticar a minha crítica.
Ela precisa deixar de ser fácil e promíscua. Precisa deixar de se envaidecer com aplausos de mãos que nunca doaram de si uma gota de lágrima ao caído… ou qualquer esboço de preocupação com o desespero que me esbofeteia a face amarela. Ah, não! Lá vou eu de novo criticar… Pare, pare e pare… Tá bom, já parei. Que chato, não deixa nem criticar! Bom, voltando a criticar a minha crítica. Desculpa-me você que se sente tentado a se incomodar com a mesma. Você que talvez odeia e tem medo de falar e ser despido pela eloquência da desvairada. Te confesso, ela não tem limites. Eu sei. Tem vezes que eu a quero matar, mas ela não jaz… Ela é terrível, ousa escarnecer a humildade do hipócrita, me deixando em uma saia justa, pois o papel do hipócrita é no palco de pantomimas, destilando sua santa atitude. Nem Deus escapa dos olhos cortantes dela nas manhãs de dias em que o homem ceifa vidas inocentes, embriagado de fé e bondade adversa ao seu semelhante. E agora? Ferida que nomeia o erro, com que roupa você vai ao baile das aspas? Oh, vossa sapiência! Você que rasga minha vigília com seus dedos de facho, rabiscando o pequeno do que não foi dito, garimpando onde a palavra não ousa nem nascer. Agora que provaste do seu veneno, me diz: Como te sentes criticando a crítica no espelho?
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 06/05/2026
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