D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

O rei vagabundo e a vida ressentida
Todos têm direito
de sorrir neste mundo…
Foi o que ouvi da fumaça cansada
de um samba antigo
que girava baixo no fundo do quarto.

Mas hoje o meu peito
não veste fantasia.

Hoje a noite mastiga devagar
o resto da boa vontade
que deixei espalhada
pelos corredores da esperança.

Sou um rei vagabundo…
não por não possuir trono,
mas por carregar responsabilidades demais
para um coração que já anda
descalço por dentro.

Ontem eu falava de mães feridas,
de mulheres sobrevivendo
ao peso de mãos violentas,
tentando erguer um evento
como quem acende vela
no meio da ventania.

E no tropeço de um nome esquecido
perdi alguém
que já caminhava com as malas prontas
para abandonar a estação.

Eu sei…
o esquecimento dói.

Principalmente quando a alma
anda cansada de se sentir invisível.

Mas há dores
que conversam,
e há dores
que procuram sentença.

A minha hoje
anda sentada na calçada
bebendo culpa morna
em copo americano rachado.

Porque quem organiza sonhos coletivos
quase sempre vira réu
das frustrações individuais.

E talvez ela nem tenha saído
pela ausência do nome.

Talvez já estivesse ferida antes,
silenciando rachaduras
atrás da parede da responsabilidade.

Mas ainda assim…
covardia também é deixar o barco
quando a maré ameaça engolir os que ficaram.

Ai, ai…
como pesa ser o forte da sala
quando ninguém percebe
que o forte também sangra.

No fundo,
o rei vagabundo
é só alguém tentando manter acesa
a fogueira da dignidade
com os bolsos cheios de cansaço
e a consciência tropeçando
em nomes que não cabem
na pressa do coração.

Hoje não quero aplausos.
Nem absolvição.

Só queria que algumas pessoas entendessem
que até quem luta pelos outros
às vezes perde a batalha
contra o próprio desgaste.

E talvez seja isso
a vida ressentida:

um lugar
onde quem mais tenta unir
termina dormindo sozinho
com a culpa de não ter sido suficiente.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/05/2026
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