D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos Ă© minha histĂłria em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

O Primeiro Espelho
Espelho quebrado que abominei,
seu reflexo em cada passo da minha estrada.

E vocĂȘ nunca esteve lĂĄ em sentimentos.
Seus cacos entre rodas de samba e camas de amantes.

Para minha mĂŁe dizia:
— Vou pescar.

E a fĂȘmea, com voz de pastora de anca quente, dizia:
— Leva seu trofĂ©u, para ver se ele aprende algo.

No gesto da palavra:
interação entre pai e filho.

Na intenção da locutora,
apenas a tentativa de castidade em um homem de mulher traĂ­da.

Mal sabia ela
que eu, desde cedo,
aprendia com o mestre da toxicidade misĂłgina.

Aprenda:
o verdadeiro alfa tem que saber fazer uma fĂȘmea sucumbir em gemidos.

Às vezes de socos e tapas.
Às vezes de gozos
em quartos que não isolavam os ruídos


Ele nunca se importou com a proteção da minha infùncia.
SĂł queria criar mais um monstro no espelho.

Bom,
aprendi desde cedo
que o silĂȘncio tem um preço,

e o meu custou caro para ele,
quando comecei a me entender menino-capital
no mundo dos homens.

Ah!

Espelho estilhaçado
que nunca se importou
se eu sofria
ao me fazer cĂșmplice da tristeza
da que me amamentou


quando me fez dançar
com o pranto de quem me amou.

Espelho em cacos
que nunca sangrou
por me treinar no culto do adultério.

A dona da dor

que me fez confidente
de suas lĂĄgrimas.

FĂȘmea que o juramento
cuspiu para fora do ninho.

Ela,
com seus ais,
me entregou um martelo de traumas.

Hoje,
o que quebrou de vocĂȘ
Ă© pĂł,

que a direção da minha moral adversa
espalhou no limbo de minhas memĂłrias.

Porque nunca houve pescarias?
SĂł rodas de samba e serestas?

Suas noitadas na folia,
minha escola de dois gumes.

Estilhaços.

Fumaça
que o traço da minha bĂșssola levou
em silĂȘncio,

até que o norte do meu sopro
o desfez.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 05/06/2026
Alterado em 05/06/2026
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