

Navegante de CarĂȘncias Alheias
Antes eu tinha dĂșvidas
quando comecei a trabalhar nele. O amor. PorĂ©m, o fato de ele estar exatamente onde deveria estar me fez perguntar: Quem vive na tentativa de salvar os outros? Existem os que se excitam em buscar amor naquilo que estĂĄ ferido. Presas fĂĄceis que abocanham o primeiro flerte. Deitam, beijam e gozam no leito dos que se alimentam das necessidades emocionais alheias. Confundem cuidado com pertencimento. E se atiram de peito aberto em lĂquidos que fedem a cio, ao remar em poças que cheiram ao suor do ventre. Por ondas que nĂŁo lhes pertencem, em correntezas que tresandam a carne Ășmida. Ao singrar por ĂĄguas que nĂŁo foram feitas para o seu peso. E enchem de ar o peito do desejo para mergulhar atĂ© o fundo da dependĂȘncia emocional. E da fome de ser visto. Entopem de atenção o que lhes falta, atĂ© que a casca nĂŁo aguente e o tesĂŁo tropece no sentimento. DependĂȘncia proposital Ă© o que vomita a culpa⊠Quantos vendem o seu bem maior, a autoestima, o orgulho, para se sentarem Ă mesa de quem os enxerga como objeto? O prato do dia no menu das vulgaridades sem compromisso. No fast-food barato, come-se, amassa-se a embalagem e joga-se no lixo do esquecimento. Sem culpa. Sem remorso. Deita-se no sono dos saciados. Porque amanhĂŁ Ă© dia de parasitar outra vez. E sua prĂłxima vĂtima pode estar olhando para vocĂȘ agora⊠Vai, sorria. VocĂȘ estĂĄ sendo observado.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 05/06/2026
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