D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

A bula da precaução, relembre
Ah, vida!
Coquetel de dias difusos.
Rascunhos servidos com doses paliativas de endorfina.

E aos que, nesses tempos modernos, assassinam os fatos
para reinventar a roda do porvir.

Talvez eu diga.
Talvez não por covardia,
nem tampouco cumplicidade.

Santa ignorância…
Desce daí, argumento esculpido em pau oco.

Porque o lixo não deixa de ser lixo
só porque é capaz de produzir adubo.

Não precisamos destruir a história.
Nem fingir que os pseudo-santos
não tiveram importância
para a degradação da humanidade.

O que se faz necessário
é cessar de converter brilho de verso
em perdão de conduta
ou absolvição moral.

Não…

Não separe mais o criador da criação,
eu ainda sigo lutando contra os cacos do espelho
que se quebrou antes do meu existir.

E olha que antes eles já pintavam o sete no mundo
para nos entreter no agora…

Com cada gota de sangue
de momentos homéricos.
Fabricando heróis
que nossas retinas deglutem
com cadência e ânsia de quem
tem fome de saber.

Pois bem, saber o que dessa epopeia?

Quem arou a terra e jogou a semente?

Quem cultivou a árvore que germinou o fruto proibido?

A mordida que condenou a criação a serpentear os seus dias?

O que eu quero saber?

Se já reviramos o baú do que passou,
por que continuamos escolhendo ser
ferida que não cicatriza, espelho que não reflete, porta que não abre?

Alguns seguem o caminho inteiro, preferindo ser
eco sem voz, gesto sem mão, olhar sem nada.

É…

Toma aqui essa pergunta como resposta
e deixa que fermente no seu intelecto.

Antes da fornada que diferencia o barro da besta
e que decide o que é vaso e o que é vulto.

Eles, os que deram nome às “prostitutas”.
Que queimaram as libertárias
que se punham de pé como Lilith,
ao se recusarem a ser costela como Eva.

Sim, eles,
os que exterminaram os “pagãos” nativos,
que emparedaram os negros
em suas catedrais de superfície alva
e núcleo cor da corrupção.

Porque, se quem conta um conto aumenta um ponto,
o protagonista, quem era?

Homens…
E a retórica da dominação.

Já parou pra pensar, antes de parir suas conclusões manipuladas?

Quem arquitetou a estética da Bíblia
sabia exatamente administrar
as quantidades de letras que viciam.

O martírio que escraviza no ápice de sua dor…

Eu te perdoo, pai.
Pelo que consta no pergaminho,
tu nunca entendeste bem o peso das tuas mãos.

Porém, o seu açoite argumentado de bênçãos
me faz entender que uma mentira contada repetidamente
se veste de verdade.

Tu sempre agiste às cegas,
com o que te deram os dedos
dos filhos daqueles que escreveram a história.

Relembre essa era como se não houvesse outro amanhã.

Para mim,
aqui você pode colocar o ponto final.
Xiii,
um só não, põe três…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Site do Escritor criado por Recanto das Letras