

A bula da precaução, relembre
Ah, vida!
Coquetel de dias difusos. Rascunhos servidos com doses paliativas de endorfina. E aos que, nesses tempos modernos, assassinam os fatos para reinventar a roda do porvir. Talvez eu diga. Talvez não por covardia, nem tampouco cumplicidade. Santa ignorância… Desce daí, argumento esculpido em pau oco. Porque o lixo não deixa de ser lixo só porque é capaz de produzir adubo. Não precisamos destruir a história. Nem fingir que os pseudo-santos não tiveram importância para a degradação da humanidade. O que se faz necessário é cessar de converter brilho de verso em perdão de conduta ou absolvição moral. Não… Não separe mais o criador da criação, eu ainda sigo lutando contra os cacos do espelho que se quebrou antes do meu existir. E olha que antes eles já pintavam o sete no mundo para nos entreter no agora… Com cada gota de sangue de momentos homéricos. Fabricando heróis que nossas retinas deglutem com cadência e ânsia de quem tem fome de saber. Pois bem, saber o que dessa epopeia? Quem arou a terra e jogou a semente? Quem cultivou a árvore que germinou o fruto proibido? A mordida que condenou a criação a serpentear os seus dias? O que eu quero saber? Se já reviramos o baú do que passou, por que continuamos escolhendo ser ferida que não cicatriza, espelho que não reflete, porta que não abre? Alguns seguem o caminho inteiro, preferindo ser eco sem voz, gesto sem mão, olhar sem nada. É… Toma aqui essa pergunta como resposta e deixa que fermente no seu intelecto. Antes da fornada que diferencia o barro da besta e que decide o que é vaso e o que é vulto. Eles, os que deram nome às “prostitutas”. Que queimaram as libertárias que se punham de pé como Lilith, ao se recusarem a ser costela como Eva. Sim, eles, os que exterminaram os “pagãos” nativos, que emparedaram os negros em suas catedrais de superfície alva e núcleo cor da corrupção. Porque, se quem conta um conto aumenta um ponto, o protagonista, quem era? Homens… E a retórica da dominação. Já parou pra pensar, antes de parir suas conclusões manipuladas? Quem arquitetou a estética da Bíblia sabia exatamente administrar as quantidades de letras que viciam. O martírio que escraviza no ápice de sua dor… Eu te perdoo, pai. Pelo que consta no pergaminho, tu nunca entendeste bem o peso das tuas mãos. Porém, o seu açoite argumentado de bênçãos me faz entender que uma mentira contada repetidamente se veste de verdade. Tu sempre agiste às cegas, com o que te deram os dedos dos filhos daqueles que escreveram a história. Relembre essa era como se não houvesse outro amanhã. Para mim, aqui você pode colocar o ponto final. Xiii, um só não, põe três…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/08/2026
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