

Superação e luto, o confronto
Prelúdio
Querida irmã! Escrevi esse poema para mim mesmo, mas só conheço uma pessoa que, neste momento, entenderia as entrelinhas da minha escrita e as pontuações da minha dor. Existem várias formas de superação, mas talvez a maior montanha de todas seja superar uma perda. Por isso, me sinto confortável em dividir este poema com você. Porque todos os dias eu choro sorrindo, para receber gargalhadas alheias como condolências. Talvez seja essa uma das estranhas formas que encontramos de continuar: carregar a ausência sem deixar que ela nos ausente também. Ciclo da vida é vital… Querido eu, digno de pena, o que agora habita a terra virou adubo. Não sabias? Ciclo da vida… Superar não é nunca cair, é levantar quando a vida pesa, olhar novamente para a mesma e ensinar aos próprios pés que ainda existe estrada. Atravessar o luto é medir o abismo sem achar que a queda é você, porque quem já sentiu o próprio vazio não transforma uma pedra em lápide. Tem noites que é preciso olhar o impossível sem diminuir a própria grandeza da partida. Quem conhece o valor do seu pranto não transforma tudo em lágrimas. Algumas manhãs, ganhar é segurar a linha que ainda treme. Outras, é só não soltar o pouco que ainda prende a memória viva. Os dois movimentos têm valor para quem chora sorrindo. Não abandone a sua saudade porque hoje ela parece distante. Converte o breve em extenso, até que o que era longe se torne costura. E se nesse novo roteiro aparecerem algumas releituras, observe do canto da estrada até que o intransponível vire rastro. E quando finalmente chegar o sol, olhe para trás sem esquecer da sombra que não se desprende da pele. A chegada não era o prêmio, era o rastro. No beabá das pegadas do outrem, superar é vital… Afinal, a morte é só a poda do segundo umbigo. Porque no intervalo entre o quase e o nunca, você descobre que o mais fundo da força habitava o mais raso do fôlego. Não foi o ponto final que coroou a jornada. Foi a vírgula no meio do caminho…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 19/08/2026
Alterado em 19/08/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |