

Religião do poder, Crux populi
Caríssimo guardião da mudança,
meu manifesto vai para além de siglas partidárias. Agora é oficial: os santinhos estão por aí. Habitando papel, com caras maquiadas, fáceis de se ingerir. Agora eles andam no meio da plebe, mas não fazem milagres. Prometem, prometem e prometem. Sorriso amarelo, gastando dinheiro, pois campanha de santo quem custeia é o imposto do povo. Mas o que ali respira às claras pede colo e vertigem. Verdade nua ali não reluz exposta e nem clama por ser decifrada. Mas eu não trilho caminho destro. Não, não… A mim não me dá água na boca ver essa sua doutrina de coroa, que engorda o bolso do senhor e algema o pé do trabalhador. Seu projeto de trono e corrente, que enche o celeiro do forte e esvazia a mão do fraco. Sua cartilha de dono, que estufa o cofre de poucos e curva a espinha de muitos. Afasta de mim e cale-se. Entre santinhos, existem os hereges, os sestros. Os que não ocupam o banco que aplaude a coroa e nem bebem do cálice que a monarquia oferece. Eles não são como os colonizados, que se vestem como reis de papel, santos, acima de qualquer chão. Não. Eles afirmam proteger os que não têm voz e exigem que a igualdade vire regra, não no gesto, mas no decreto que o gesto congelou. Exigem que a medida seja a mesma, não na mão que dá, mas na regra que não dobra. Talvez seja por isso que o clérigo elitista os desenha como excomungados na retina do povo. Vermelhos, com chifres e rabos. E você, o fiel de joelhos com o voto na mão, não tem que escolher entre abismo e reforma agrária. Entre servidão e ser servido. O voto é uma semente no escuro, e só você sabe os frutos que quer colher da árvore vindoura. Cabe a você retomar o que lhe é devido. Pão, remédio e letra. Relembre. Você não é formiga, classe operária… Dispa-se de viés antes de saborear o que te sirvo à mesa, vossa alteza.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 23/08/2026
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