D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Religião do poder, Crux populi
Caríssimo guardião da mudança,
meu manifesto vai para além de siglas partidárias.

Agora é oficial:
os santinhos estão
por aí.

Habitando papel,
com caras maquiadas,
fáceis de se ingerir.

Agora eles andam
no meio da plebe,
mas não fazem milagres.
Prometem, prometem
e prometem.

Sorriso amarelo,
gastando dinheiro,
pois campanha de santo
quem custeia é o imposto
do povo.

Mas o que ali respira às claras
pede colo e vertigem.
Verdade nua ali não reluz
exposta
e nem clama por ser decifrada.

Mas eu não trilho caminho
destro.

Não, não…

A mim não me dá
água na boca ver essa
sua doutrina de coroa,
que engorda o bolso do senhor
e algema o pé do trabalhador.

Seu projeto de trono e corrente,
que enche o celeiro do forte
e esvazia a mão do fraco.
Sua cartilha de dono,
que estufa o cofre de poucos
e curva a espinha de muitos.

Afasta de mim
e cale-se.

Entre santinhos,
existem os hereges,
os sestros.

Os que não ocupam o banco
que aplaude a coroa
e nem bebem do cálice
que a monarquia oferece.

Eles não são como os colonizados,
que se vestem como reis de papel,
santos,
acima de qualquer chão.

Não.

Eles afirmam proteger os que não têm voz
e exigem que a igualdade vire regra,
não no gesto, mas no decreto que o gesto congelou.

Exigem que a medida seja a mesma,
não na mão que dá, mas na regra que não dobra.

Talvez seja por isso que o clérigo elitista
os desenha como excomungados
na retina do povo.
Vermelhos, com chifres e rabos.

E você, o fiel de joelhos com o voto na mão,
não tem que escolher entre
abismo e reforma agrária.
Entre servidão e ser servido.

O voto é uma semente no escuro,
e só você sabe os frutos
que quer colher da árvore
vindoura.

Cabe a você retomar o que lhe é devido.
Pão, remédio e letra.

Relembre.

Você não é formiga,
classe operária…

Dispa-se de viés antes de saborear o que te sirvo à mesa,
vossa alteza.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 23/08/2026
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