

Geopolítica da querença circular
Seja forte, me dizem sempre…
Não somos fortes porque nunca precisamos de ninguém. Somos fortes porque, no corpo, gravamos quando abrir a palma que acolhe e quando cerrar o punho que segura. Mas, na vida, existem trilhas que só o nosso calo conhece e outras que a presença de outro corpo torna mais fáceis de pisar. Problemas perdem o peso quando outro pé divide o chão. Que ninguém exija do outro o passo que só cabe a si, mas que ninguém desvie o olhar do tropeço alheio como se não visse a montanha que reflete a sua fronte. Sim. Amizade tem dessas coisas, né? Não é carregar alguém nas costas, e sim caminhar lado a lado, sabendo que o peso rouba o horizonte e esconde a paisagem. É lembrar, quando o corpo já não acredita, que as pernas ainda moram nele. É festejar a chegada do primeiro sem ignorar a marcha de quem vem depois. É empurrar a parede para que outra luz passe sem que a sua vela se apague. Bem por aí… Ceder um pedaço da janela quando o sol invade a fresta em dias de céu tempestuoso. E, quando cada um reconhece o que carrega dentro do peito nessa aliança, o que era só toque vira laço, o que era só passagem vira ponte. Não uma corrente que prende. Um vento que sopra de peito em peito o que, solitário, nenhuma carne criaria: sopro que não cansa. Amadurecemos juntos quando cada qual carrega o peso do seu próprio chão e, ainda assim, estende a mão. Seja humano… Amizade.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/08/2026
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