

Depois que abri o mar de lágrimas
Se fosse assim, bastavam os mandamentos
e ninguém mais precisaria aprender a ser gente… O primeiro: precisar de alguém não é se encostar no ombro dele até esquecer que tem os próprios pés. O segundo: ajudar não é calçar a bota do outro e andar por ele. O terceiro: respeito de verdade é a distância que não afasta, mas ensina onde o outro começa. O quarto: solidariedade não é entregar o prato de comida e ficar com fome. O quinto: a colheita que o outro fez não seca a terra onde plantamos. O sexto: amizade não é corrente que ancora dois barcos no mesmo porto. O sétimo: laços que não afogam fazem a força passar de mão em mão sem prender ninguém pelo pulso. O oitavo: ser gente é um rio mais profundo do que o músculo que se contrai para mostrar que aguenta. O nono: amadurecer junto não significa amadurecer igual, nem no mesmo ritmo. O décimo: arranque o laço que aperta sua voz e diga o que sente antes que a hora do seu pedido expire. Não espere que o mártir te envie a conta. A terra tremeu sob seus pés ao receber o que não foi dito, e sim escrito em tábuas cruas. Ficou chocado? Sei que até podemos beber da mesma fonte, mas a terra que cada um regará com o que sobrar terá frutos diferentes. Não são dois pesos e duas medidas. O que cada corpo converterá na entrega será matéria única. Amizade, que abrigo sua escuta. Sim, por breves tempos, minha Canaã. Agora senta aí e respira fundo. Não é o mundo que está chato, sou eu que estou ficando velho. E agora, ao se olhar no espelho, talvez dissesse: Eis-me aqui, Senhor. Não. E agora? Demasiado simplório para ser humano. Em caso de urgência, quebre o vidro da janela e coma da maçã. Pensar é o primeiro ato de desobediência…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 25/08/2026
Alterado em 26/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |