

Quem não chora, não respira o que a vida te serve
Aceito ser frágil,
porque o muro que não se molha racha na primeira tempestade… Ser forte é aceitar que às vezes precisamos dobrar a espinha para seguir vivendo. Óbvio para uns, desistência para outros. Fato é. Somos carne, mas também somos sentimentos e alma. E não existe nada nesse universo que seja ilimitado. Assim caminha a humanidade! Nosso passo, que caminha com a evolução, não alcança os confins do existir. E ele tem fim… Para além disso, ele carrega muros e, entre eles, o silêncio que nos afasta. A pele não é impenetrável. O músculo pode sustentar o corpo. Quem sustenta a alma? A resiliência dos sentimentos? E a alma, essa que nunca mostra a verdadeira face para a plateia do cotidiano, feliz de fachada, chora por trás de um sorriso. Chega. Aqui eu tiro a máscara. E, se você quiser, acenda a luz para não tropeçar no abismo de minhas interrogações. O porquê? Sinto… Sinto o vazio de uma mãe que não pude velar, nem levar ao colo na despedida. Mãe que teve vela, caixão, teve adeus, mas não pude molhar sua lápide com meu pranto, porque minhas mãos não alcançaram seu descanso. O calor da bomba que carbonizou infâncias ainda me queima junto com o açoite que ainda estala em meus ouvidos. Notas com requintes de modernidade. Encargos de consciência. Réquiem com afagos estruturais que criam rédeas. Pela entrada de serviço… Barbárie banalizou-se, mas não fecha a cicatriz aberta. Os suspeitos continuam os mesmos. Guerra santa, eles dizem. Uma única origem, mas o conhecimento divino é multifacetado. Divide. Me solidarizo com um povo que não senta à mesa, não ocupa lugar e mal pode se chamar nação, porque vive sob chave. E quase não pode se dizer gente, porque mora na grade do outro. Ali há mulheres que me ensinam o peso real da palavra: Sobrevivência. E aos que tentam me consolar com metáforas nonsense, dizendo: O mundo está de ponta-cabeça, irmão. Primeiro me mostre o teto do cosmo, que eu beberei, letra por letra, dessa afirmação pretensiosa. Até que não o faça e o gesto não se desfaça, seguirei lendo o tempo, traçando a memória nos vincos que a espécie abriu na superfície. Decifrando a origem nas dobras que o humano inscreveu no chão. Confabulam que o poeta chora letras. Como anda a mente de quem navega nesse mar de entrelinhas? Olhei para trás e deixei rolar meu pranto para que a represa não estoure, arrasando tudo. Mas não confunda a trégua do meu lamento com a rendição do que sou. É apenas o cansaço abrindo uma porta para que o vento passe, para que o ar que eu respire não venha do mesmo hálito que contamina e subjuga. O que escorre das minhas pálpebras aduba a comida que você mastiga, enquanto me oferece palmas com a boca cheia de dentes sujos. Hummm. Aquilo que não mata engorda. Coma, que ainda está quente. Só não vá queimar a língua quando disser que somos iguais…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 29/08/2026
Alterado em 25/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |