D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Quem não chora, não respira o que a vida te serve
Aceito ser frágil,
porque o muro que não se molha
racha na primeira tempestade…

Ser forte é aceitar
que às vezes precisamos dobrar a espinha
para seguir vivendo.

Óbvio para uns,
desistência para outros.

Fato é.

Somos carne,
mas também somos sentimentos
e alma.
E não existe nada nesse universo
que seja ilimitado.

Assim caminha a humanidade!

Nosso passo, que caminha com a evolução,
não alcança
os confins do existir.
E ele tem fim…

Para além disso, ele carrega muros
e, entre eles, o silêncio
que nos afasta.

A pele não é impenetrável.
O músculo pode sustentar
o corpo.

Quem sustenta a alma?
A resiliência dos sentimentos?

E a alma,
essa que nunca mostra
a verdadeira face
para a plateia do cotidiano,
feliz de fachada,
chora por trás de um sorriso.

Chega.

Aqui eu tiro a máscara.
E, se você quiser, acenda a luz
para não tropeçar
no abismo de minhas
interrogações.

O porquê?

Sinto…

Sinto o vazio de uma
mãe que não pude velar,
nem levar ao colo na despedida.

Mãe que teve vela,
caixão,
teve adeus,
mas não pude molhar sua lápide
com meu pranto,
porque minhas mãos
não alcançaram seu descanso.

O calor da bomba
que carbonizou infâncias
ainda me queima
junto com o
açoite que ainda estala
em meus ouvidos.

Notas com requintes de modernidade.

Encargos de consciência.
Réquiem com afagos estruturais
que criam rédeas.

Pela entrada de serviço…

Barbárie banalizou-se,
mas não fecha a cicatriz aberta.
Os suspeitos continuam os mesmos.

Guerra santa, eles dizem.
Uma única origem,
mas o conhecimento divino
é multifacetado.

Divide.

Me solidarizo com um
povo que não senta à mesa,
não ocupa lugar
e mal pode se chamar nação,
porque vive sob chave.

E quase não pode se dizer gente,
porque mora na grade do outro.

Ali há mulheres que me ensinam
o peso real da palavra:

Sobrevivência.

E aos que tentam me consolar
com metáforas nonsense, dizendo:

O mundo está de ponta-cabeça,
irmão.

Primeiro me mostre o teto do cosmo,
que eu beberei, letra por letra,
dessa afirmação pretensiosa.

Até que não o faça
e o gesto não se desfaça,
seguirei lendo o tempo,
traçando a memória
nos vincos que a espécie abriu na superfície.

Decifrando a origem
nas dobras que o humano inscreveu no chão.

Confabulam
que o poeta chora letras.

Como anda a mente de quem
navega nesse mar de entrelinhas?

Olhei para trás e deixei rolar meu pranto
para que a represa não estoure, arrasando tudo.

Mas não confunda a trégua do meu lamento
com a rendição do que sou.

É apenas o cansaço abrindo uma porta
para que o vento passe,
para que o ar que eu respire
não venha do mesmo hálito
que contamina e subjuga.

O que escorre das minhas pálpebras
aduba a comida que você mastiga,
enquanto me oferece palmas
com a boca cheia de dentes sujos.

Hummm.

Aquilo que não mata engorda.

Coma, que ainda está quente.

Só não vá queimar a língua
quando disser que somos iguais…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 29/08/2026
Alterado em 25/09/2026
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