D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Aos deuses com carinho, não quero ser imortal
Mão que sustém o clarão também edifica o abismo.
Mas o que arde no centro da vigília é um verbo sem dono.

Fui provado…

Pois a soleira me provou
e eu não terminei de não entrar.
E o pouco que entrei era o muito que sempre esteve.

Os mais cheios de tempo sugerem
alguns dias soltos do peso do mundo.

Do compasso que a moeda criou,
das pressas que se colam à pele
e, se der, de mim,
que ainda teima em querer entender.

Compreensão,
só o quase que a palavra não disse, mas o silêncio guardou.
Ou talvez de uma folha,
que deixa pegadas no ar
quando o vento desvia sua rota.

Intencional, penso eu,
da luz que demora a perceber
que já é tarde.

Na verdade, não sabem nada dos milésimos que sustentam
as correntes que aprisionam o pensar.

Eles deram a escrita e, nela,
o livre-arbítrio,
mas seria fácil demais deixar-te
interpretar o que já foi dito.

Em outras parábolas,
é o mesmo que te entregar
o rastro e jurar que era o passo.

Palavra não volta atrás.

Avisa a eles, tá!
Estou obedecendo.
Mais ou menos.
“Fingindo.”

Será que eles sabem?

Talvez não.
Talvez um pouco.
Ou talvez representem que me guiam,
enquanto desviam o rosto
da minha origem.

Decifrar o que não está escrito
no território literário do outro.

Essa curiosidade,
que me faz mergulhar
nas entrelinhas.
Esse antídoto
que sara,
mas às vezes desvia
a corrente dos meus afetos.

Um frasista de verve satírica
me escreveu:

“Suéciai, cara!”

Às vezes rio da tragédia
e quase choro com a anedota.

Se eu gargalhar na hora errada,
não me julguem.

Mas prefiro responder
com Chico César:

Deve ser legal
Ser negão, no Senegal…

E ainda me arrisco a dizer:
Literalmente, viu.

Talvez seja só minha razão
tirando um descanso
antes de mim.
Meu senso de folga
antes de encontrar meu juízo.

Não é apenas tanto faz.
É conceito de Nietzsche
entre dois mundos ambíguos.

E eu olho para você,
bem antes que
te acercasses do meu abismo.

A gente daqui
é daquelas que pesam a mão na balança antes de segurá-la
ou de erguer o dedo e te nomear forasteiro.

Percebe agora,
caro tecelão de palavras,
quando alguém extravia o ponto
de exclamação
no sentido do que se diz sua explanação?

Interpretação.

Pode coabitar um multiverso
de fatos dentro de cada um.

Por alguns segundos,
o clarão que contenta a vista
sem tentar abraçar toda a estrela,
sem ambicionar a chama completa.

Mais palavras são palavras,
e dentro de cada fagulha ainda queima um sol inteiro.

Acendem uma vela.

Depois outra.

E outra.

Até que a gente consiga
enxergar novamente o caminho.

Dito isso, lembrei.

Minha bússola
não aponta para a sala da imortalidade.

Não se assentou em mim esse fogo
que acende a vontade de um,
enquanto, no outro,
o que inflama é a pira de criticar
a arte que és incapaz de criar.

Toda obra nasce com essa sina,
de ser alçada com esses tipos de retina.

Minha caneta pediu silêncio,
minha cabeça pediu distância
e eu,
talvez escute os dois.

Mas é de minha natureza
deitar no papel
cada rosto,
cada palavra,
cada preocupação,
cada gesto.

E muito mais do que o momento
me entregue.

E, quando falta vento num corpo,
outros chegam
e repartem o sopro que têm guardado:

inspiração.

E, entre um riso que não sabe
se deveria ser lágrima
e uma lágrima que parece ter ouvido uma piada,
eu só consigo dizer:

obrigado.

Obrigado por não serem apenas textos
dentro de uma urgência,
para quem precisa da escrita.

E ficar bem.

É, às vezes, deixar a luz apagada
por alguns dias
sem acreditar que amanhecer
e claridade
sejam a mesma coisa.

E saber disso
já acende alguma coisa
aqui dentro,
por vocês existirem
na minha vida.

Hoje e para todo ponto,
vírgula e reticências,
etc., etc…
Amém.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 30/08/2026
Alterado em 26/09/2026
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