D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Divina Comédia. Ato I: O supra-sumo da desordem
Hoje acordei
e nem li as notícias.
Vi que a vida
segue sendo uma pintura
de Picasso.

Ou uma Monalisa
velha,
feia para uns,
belíssima para outros,

mas extremamente
valiosa.

Mas cuidado!

Ao temperar os dias,
não abuse do uso
das Capsicum baccatum.

Porém, se o fizer,
faça-o à brasileira.
Todas as-feiras,
no feijão
ou na moqueca.

Aí, sim,
tem potencial
pra ficar
Paticumbum, Prugurundum.

Porra!
Afinal, hoje é domingo.

E no meu lugar, saudoso lugar.
O berço dos crias,
lá onde tu toma dura
só por existir.

Tem resenha na esquina,
e eu não estou lá.
Talvez tenha Maracanã,
não estarei lá.

Churrasco na casa de amigos
com roda de samba.
Mocotó, dobradinha.
Ganhar sermão ou conselhos
dos tios.

Reza, corpo fechado,
xirê, bori,
bênçãos da mãe preta.
Revelação do crente
que fala em línguas estranhas
e leva a palavra à ovelha desgarrada.

Sim, isso mesmo.
Esse que você chama de sementinha
do mal.

Pois é,
ali o colo é regra.
Na corrente,
sem dono.
Sem filtro de quem tem.

Merda, também não estarei lá!

Tô na diáspora, né.

Aqui, batida,
só de carro ou de trem,
quando tem.
Traçado é filho de imigrante
que nada tem.

Caipirinha
com limão siciliano.
Piada de duplo sentido,
digo, a famosa putaria
saudável só no stand-up.
Quem paga vem…

O riso só sai depois da tradução,
da realidade que limão aqui
custa caro pra carai.

Hoje não tem
média
e pão na chapa…
A daqui tá quentíssima.

Ai, ai!
Invejo os que me invejam.

Que vontade de transgredir
sem precisar tirar alvará
pra isso.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 30/08/2026
Alterado em 12/09/2026
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