

Divina Comédia. Ato I: O supra-sumo da desordem
Hoje acordei
e nem li as notícias. Vi que a vida segue sendo uma pintura de Picasso. Ou uma Monalisa velha, feia para uns, belíssima para outros, mas extremamente valiosa. Mas cuidado! Ao temperar os dias, não abuse do uso das Capsicum baccatum. Porém, se o fizer, faça-o à brasileira. Todas as-feiras, no feijão ou na moqueca. Aí, sim, tem potencial pra ficar Paticumbum, Prugurundum. Porra! Afinal, hoje é domingo. E no meu lugar, saudoso lugar. O berço dos crias, lá onde tu toma dura só por existir. Tem resenha na esquina, e eu não estou lá. Talvez tenha Maracanã, não estarei lá. Churrasco na casa de amigos com roda de samba. Mocotó, dobradinha. Ganhar sermão ou conselhos dos tios. Reza, corpo fechado, xirê, bori, bênçãos da mãe preta. Revelação do crente que fala em línguas estranhas e leva a palavra à ovelha desgarrada. Sim, isso mesmo. Esse que você chama de sementinha do mal. Pois é, ali o colo é regra. Na corrente, sem dono. Sem filtro de quem tem. Merda, também não estarei lá! Tô na diáspora, né. Aqui, batida, só de carro ou de trem, quando tem. Traçado é filho de imigrante que nada tem. Caipirinha com limão siciliano. Piada de duplo sentido, digo, a famosa putaria saudável só no stand-up. Quem paga vem… O riso só sai depois da tradução, da realidade que limão aqui custa caro pra carai. Hoje não tem média e pão na chapa… A daqui tá quentíssima. Ai, ai! Invejo os que me invejam. Que vontade de transgredir sem precisar tirar alvará pra isso.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 30/08/2026
Alterado em 12/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |